Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Para me relacionar com o outro, a primeira relação que preciso desenvolver é comigo mesmo. Por quê? E como fazemos isso?

 Para haverem dois é preciso antes de tudo que haja um. E para haver um é preciso que este se relacione consigo mesmo para que esteja o máximo possível inteiro ou integrado e lúcido de suas questões que interferem na relação com o outro. Por isso é necessário que se relacione consigo mesmo uma vez que só por meio do diálogo interno é possível desenvolver uma opinião, se perceber, pensar, ocupar espaço e ser maior, independentemente da idade que possui, só é maior aquele que pensa com apropria cabeça e segue as normas porque lhe faz sentido e não porque lhe foi imposto, e formar uma personalidade que se relaciona com o outro.

 Diante disso, temos que a relação que travamos com os outros podem ser: 1- criativas e saudáveis (quando há relacionamento eu-comigo e eu me percebo); ou 2- contaminadas e prejudiciais (quando atuo sem estar consciente de mim mesmo. Quando penso, não atuo). De tal modo, as relações são boas quando criativas e saudáveis e/ou capengas quando contaminadas e prejudiciais. É claro que entre as relações boas e as capengas, existe um dégradé de opções. Mas vamos nos ater nestes dois aspectos. Para a relação ser criativa e saudável é importante que eu esteja consciente do clima emocional e mental que ronda em mim (mau humor, ódio, sentimento de inferioridade, inveja, raiva, dependencia, enfim, sentimentos negativos) para não contaminar o relacionamento, pelo menos não em demasia. Para estar consciente e poder me relacionar livre disso com a outra pessoa preciso me relacionar comigo mesmo: percebendo-me, mantendo um dialogo interno, distinguindo o que é meu e o que é do outro e abrindo a consciência para estar lucido e perceber se me irrito com o outro, ou com algo que ele faz ou diz, ou se a irritação já estava dentro de mim, e eu uso o outro como desculpa para explicar a minha irritação.

Se algo que ele diz me irrita ou me deixa zangado, é porque se engancha em algo que está em mim. Se alguém disser : Acho que seu cabelo verde é ridículo, nem vou me importar porque não tenho cabelos verdes, mas, se a pessoa disser que estou gorda, ou qualquer outra coisa que me irrite, é porque esta colocação faz sentido para mim, é porque também penso isso de mim e não estou ok, em paz com isto. O que o outro diz e me incomoda, na realidade só despertou um sentimento quanto a mim mesmo que já me incomodava, e que eu não tratei. Se a pessoa foi rude, grosseira, insensível. Isto é problema dela, afinal, por que eu ficaria tão incomodada com o outro que é grosseiro? Ele tem todo o direito de falar o que quiser já que a boca é dele! Se ele fala algo grosseiro. É ele que é grosseiro. Se enganchou em mim, a solução é me analisar e conhecer meus ganchos. A melhor maneira para resolver esta relação é pensando no que acontece comigo e não naquilo que esta ruim com o outro. Afinal, só é possível mudar algo em mim, e é inutil ter a pretensão de modificar o outro. Bater na mesma tecla dizendo e redizendo sobre o que o outro tem que mudar é pura perda de tempo e não leva a nada. - Quando apontamos o dedo para o outro é mais útil olharmos primeiro para nós mesmos. Afinal, embora um dedo esteja apontado para frente, três outros dedos apontam para trás. Quem critica precisa examinar as próprias razões para agir assim. Também é importante ter em mente que se queremos o bem do outro devemos pensar em como fazer a critica e termos em mente que quando se joga pedras o outro coloca um escudo!

 

Á critica é boa quando oferecida com palavras gentis, em tom positivo e com palavras de encorajamento e estima. O que é muito diferente de uma critica negativa onde as pessoas te criticam sem pensar nos seus interesses. São criticas destrutivas em que aquele que critica sente prazer em lhe dizer o que está errado com você. 

Temos a mania de acusar os outros porque, como disse o filosofo francês Jean Paul Sartre: “O inferno são os outros”. Ficar nesta postura, além de não modificar o outro atrapalha o bom relacionamento. Enquanto não reconhecermos o inferno que está dentro de nós, jamais sairemos dele.

Muitas pessoas se relacionam com outras como uma espécie de espelho. Considero espelho quando faço o que faço só porque o outro faz o que faz. Tanto faz sendo a favor e concordando com tudo o que o outro diz, ou sendo do contra e discordando de tudo, ou buscando formas de me vingar, competir, rivalizar, me submeter, rebaixar, enfim nesta relação espelhada somos o que somos porque o outro é o que é, e a mola que impele o meu ser é o outro porque, de alguma maneira, quero atingi-lo, ou me sinto atingida por ele. Então deixo de ter uma identidade e de existir . Claro que a ação do outro desperta alguma reação em mim, mas é muito diferente se aquela reação foi pensada e escolhida. Se pude dizer para mim mesmo não vou entrar nesta competitividade, ou se sou enredado sem ter consciência. Ou se falo o que falo só para atingir de alguma maneira o outro, o que é completamente diferente se as palavras dele despertam tais pensamentos em mim quanto pessoa integrada e inteira.

Do mesmo modo que as coisas têm um valor que é um preço. As pessoas também têm um valor que é a dignidade. Se eu não me relacionar comigo mesmo corro o risco de perder meu valor de gente, minha dignidade, e ser coisificada recebendo um valor conforme minha utilidade.

Quanto melhor for a relação que desenvolvo comigo mesmo mais sinto que existe dentro de mim algo que vale a pena e que posso confiar. Nessa relação de nós com a gente mesmo elevamos a autoestima, investimos em nós e desenvolvemos relacionamentos saudáveis em que pode haver dois. Portanto, antes de conviver com o outro precisamos poder conviver com a gente mesmo.

Quando há diálogo internodesenvolve-se uma captação maior de si mesmo e é possivel modular a percepção do outro e através da nossa percepção transformamos a do outro, influenciamo-la positiva ou negativamente.

Além do que, nossos conflitos externos nada mais são do que manifestações de nossos conflitos internos. Aquele que declara guerra ao outro, deixou de vencer a si mesmo e distinguir “Qual é conflito que vem das  profundezas quando entra em conflito com o outro”. Afinal de contas o outro tem o direito de pensar diferente e agir diferente. Então, porque nos ofendemos tanto?

 Caso contrário quando não há uma relação comigo, algo de essencial em mim deixa de existir então preciso desesperadamente do outro, se não houver o outro, só me resta ausência. É o perigo em entrar em uma relação – simbiotica. O que é uma relação simbiótica? Simbios é um termo emprestado da biologia que designa vida junto. Onde dois animais ou vegetais formam um terceiro. Por exemplo: fungos e algas formam liquens. Não é mais alga nem fungo, mas um terceiro elemento e tanto eu quanto você perdemos a nossa identidade.

Portanto, antes de haver uma relação Eu-você, é preciso que primeiramente haja as seguintes relações: 1- Eu comigo (me entendo melhor, me conheço melhor, me percebo e vou projetar (colocar no outro) minhas próprias questões muito menos e se projetar, por meio do dialogo interno vou tomando consciência e posso separar o que é meu e o que é do outro. Porque é claro que existem pessoas tóxicas e venenosas que podem nos fazer mal e distinguir as razões que levaram tal pessoa a ser toxica para mim é bem mais útil do que simplesmente colocar toda a responsabilidade do meu mal estar no outro e ponto final).

2- Eu com você (não sou um espelho. Percebo os sentimentos que você me inspira e não fico enredada neles. Tenho uma mente própria, opinião própria e respeito a sua. Posso aceitar as diferenças).

3- Você com você (para se entende melhor… E tudo o que há no item 1 com relação a você).

4- Você comigo (não serás um espelho meu… E o que há no item 2 com relação a você).

5- Eu comigo e com você (relação a três: eu comigo e com você. Como se uma parte de mim ficasse me observando. Me percebo em relação a você: por que certas coisas que você diz me ofendem? Me tornei agressivo? Zangado? Identifico minha qualidade emocional e só então posso me relacionar mais verdadeira e livremente) – possibilidade de pensar durante o relacionamento. 

6- Você com você e comigo (uma parte de você se observa… E o que há no item 5 em relação a você).

Engraçado quando entra uma terceira pessoa: eu-comigo, com você e com ele, e se a pessoa me inspira um tipo de qualidade emocional e você outra, muitas vezes a gente fica travada. E não sabe como existir neste relacionamento a três (que na verdade contando as partes objetivas e subjetivas, formamos um grupo de pelo menos nove).

Depois de tudo o que foi dito, resta uma pergunta: Será que então quando nos relacionamos precisamos ficar nos policiando? E onde fica a nossa espontaneidade e a autenticidade? A resposta é simples: Policiar-se e ficar se controlando é bem diferente do que ser alienado se si mesmo ou não se perceber. Além do que, policiar-se é peneirar tudo na peneira da censura e da moral e esta postura impede  que você seja autentico e espontâneo e que você seja você mesmo. A única maneira de ser autentico e espontâneo é se percebendo é dialogando consigo e perguntar às profundezas de seu ser se você está de acordo com isso que diz ou faz.

Relacione-se livremente mas sem perder a consciencia de si. E principalmente, cultive a capacidade para pensar quando estiver se relacionando. Lembre-se, tudo o que se tira da boca sai de nós e isso nos torna responsaveis pelo que dizemos e entra no macrocosmo e depois que algo é dito ou feito, fica difícil de varrer da terra.

Léa Michaan,  SP 9/03/2011

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7 de Março de 2011 - Posted by | relacionamento

1 Comentário »

  1. Adorei, amei.

    Comentário por vania melo | 25 de Março de 2011 | Responder


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