Ciúmes -Ou você derrota o ciúmes ou ele derrota você!
Ciúme é a três, enquanto que a inveja é a dois.
Os três sujeitos do ciúme são: aquele que sente o ciúme (sujeito ativo); aquele de quem se sente o ciúme (sujeito analítico) e aquele que é o motivo do ciúme.
Se sinto ciúme especificamente de tal pessoa, é porque aquela pessoa despertou algum sentimento em mim, achei-a interessante, bela ou atraente e eu projeto na pessoa “amada”.
Uma dose de ciúmes até faz bem para o relacionamento porque é sinal que eu valorizo a pessoa amada e reconheço que não sou dona dela e ela tem todo o direito de se apaixonar por outra pessoa. Mas o ciúme exagerado faz mal e pode até estragar a relação. Esta relação que tenho tanto medo de perder eu mesmo acabo estragando com o ciúme exagerado. Inconscientemente tenho tanto medo de perder porque “sei”que vou estragar. Projeto para fora o perigo que esta dentro de mim.
O ciúme está relacionado com a falta de autoconfiança, insegurança e baixa autoestima. Quando sinto ciúmes tenho medo e vergonha de perder a pessoa amada. Quando o ciúme é exagerado pode tornar-se uma obsessão. E porque o ciúme fica exagerado? Simplesmente porque eu super-investi na pessoa amada. O que significa isso? Provavelmente carrego carências afetivas de longa data, quase sempre desde a infância e agora espero que a pessoa amada recompense toda a falta de amor que vivi. Ela representa meu pai, minha mãe, e o homem ou a mulher da minha vida. Mas, é impossível compensar. Em primeiro lugar porque já não sou mais a criança de outrora, e por mais que receba amor a criança carente que fui continuará carente; em segundo lugar porque estou tão carente e desejo absorver tanto do outro que se ele entrar nesta relação será simbiótica e patológica ou acabo afastando o outro de mim.
Além disso, tenho tanto medo de perder a pessoa amada porque depositei nela a minha estima, minha razão de viver. Portanto perde-la, é tão penoso quanto perder a mim mesmo. A dor é tanta que parece um fogo a me queimar.
Por isso o outro não pode representar nosso objeto de vida. É importante poder transitar entre os diversos papeis que podemos ocupar: mulher, mãe, profissional, amiga, esportista, ter hobbies e investir em várias e diferentes áreas do viver.
Se o ciúme é exagerado, pode ser que sofri muito na infância sentindo-me excluída do relacionamento de meus pais a tal ponto que me traumatizou. E ao ver a pessoa amada olhando para outra pessoa a dor volta com toda a intensidade desencadeando o medo de reviver o sentimento de exclusão, rejeição e abandono novamente e desenvolvo uma paranoia.
Nesse tipo de paranoia, a pessoa está convencida, sem motivo justo ou evidente, da infidelidade do parceiro e passa a procurar “evidências” da traição. Nas formas mais exacerbadas, o ciumento passa a exigir do outro coisas que limitam a liberdade deste.
Qual é a cura para os ciúmes? 1- Elaboração da carência na fase de quando éramos crianças; 2- Desenvolver o diálogo interno: ter uma parte preservada de si que faz com que eu me perceba e me conheça melhor para poder transformar o que é precário em mim e destrói os relacionamentos e a mim; 3- Por meio da analise, melhorar a autoestima e concomitantemente a autoconfiança e segurança.
Ou você derrota o ciúmes ou ele derrota você!
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