Nova Lei Antifumo faz bem à saúde, mas pode causar transtornos psicológicos
Saúde & Lazer 21-Set-2009
Segundo especialista, não está sendo levado em consideração o sofrimento psíquico de quem é impedido de fumar Em questão de poucos anos, houve uma significativa mudança de valores frente à atitude dos fumantes. Há algum tempo, fumar era sinônimo de glamour, requinte e elegância. Atualmente, é sinal de vício, falta de amor próprio, falta de educação e até crime, com punição (multa) imposta por lei. Como se não bastasse, desde que a norma foi posta em vigor, pessoas dependentes do cigarro têm passado por um conflito entre o intelectual e o emocional. De um lado, o saber cognitivo informa o fumante que o cigarro é prejudicial à própria saúde e à saúde dos outros. Por outro, os sentimentos do fumante frente ao cigarro: possuir um efeito calmante, poder dar uma sensação de segurança e independência, diminuir momentaneamente a ansiedade, o nervosismo e a timidez. “Desde que a Lei Antifumo foi posta em vigor, os fumantes vivem este conflito em suas vidas. Há uma batalha acirrada no mundo interno deles entre o racional e o emocional. É pelas razões emocionais que o fumante não consegue parar de fumar; são razões nem sempre passíveis de encontrar palavras para descrevê-las, mas são motivos muito mais fortes que qualquer pretexto racional que possa ser intelectualmente compreendido”, revela a psicoterapeuta Dra. Léa Michaan. A profissional afirma que ser dependente de qualquer substância significa que a pessoa perdeu o controle do seu uso, ou seja, em vez de a pessoa controlá-la, é a substância que a controla. “No caso do cigarro, isto ocorre porque, quimicamente, a abstinência acarreta muitos efeitos, como: falta de concentração, falta de atenção, ansiedade, além de diversas outras respostas do corpo para a ausência da nicotina”, conta. Segundo Dra. Léa, o não reconhecimento sobre o autocontrole é a causa principal da dificuldade para parar de fumar. “Sabemos que, em psicanálise, o primeiro passo para haver qualquer mudança de atitude é a possibilidade de o indivíduo conhecer-se. Para isto, faz-se necessário entrar em contato com os próprios limites, recursos, capacidades, necessidades e tendências. Enquanto a pessoa não estiver lúcida e consciente do quanto ela é controlada pelo vício, dificilmente conseguirá parar de fumar.” A psicoterapeuta acredita que o único meio para largar este vício, sem substituí-lo por outro, é através do autoconhecimento. “É necessário que a pessoa adquira a possibilidade de reconhecer os lugares que o cigarro ocupa e colocar nestes espaços aquilo que é próprio deles. Esta troca, sem dúvida, será bem mais satisfatória, durável e verdadeira”, finaliza a psicoterapeuta.
Dra. Léa Michaan é Psicoterapeuta e Psicanalista, graduada em psicologia pela Universidade Mackenzie e Pós-graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP).
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