Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Um monstro chamado ciúme

Quando o medo de perder o garoto entra em jogo, a primeira reação é partir para a pegação de pé. Pronto! É tudo o que esse vilão precisa para melar, de vez, mais uma história de amor.

Por Rita Trevisan

 

Não importa se o garoto é um namorado ou ficante. Quando bate aquele ciúme, é natural que a nossa primeira tentativa seja a de marcar o território, com atitudes que demonstrem ao garoto o quanto estamos desconfortáveis com a situação. O problema todo é que, em 99,9% das vezes, passamos o recado de um jeitinho não muito inteligente: armamos um bico daqueles, partimos para a discussão, ou simplesmente “colamos” no menino, para evitar que ele chegue ainda mais longe – já que, lá no fundo, nosso grande pavor é que ele vá embora de vez.

Essas táticas podem até funcionar nas primeiras tentativas. Porém, quando o ciúme passa a ser a companhia frequente do casal, a relação se complica. “O ciúme excessivo é capaz de transformar a vida dos dois num inferno. Sem que eles percebam, o sentimento vai tirando o brilho do romance e, em vez de namorar, de se divertirem juntos, eles usam todo o tempo para as cobranças, as queixas, as brigas. Assim, não há amor ou paixão que resista!”, alerta a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

É justamente na tentativa de evitar que o garoto se interesse por outras meninas que, sem querer, deixamos a relação ainda mais vulnerável para que isso aconteça. Afinal de contas, ninguém suporta passar muito tempo ao lado de uma companhia desagradável, não é mesmo? E é esse o tipo de pessoa que nos tornamos, ao exagerar no ciúme.

Viva o meio termo!

Agora, se não dá para bancar a general e grudar no pé do fofo – ou armar barraco atrás de barraco para tirar suas dúvidas a limpo -, também não vale engolir a raiva sempre que o menino dá uma bola fora. Então, quando ele realmente der motivos, você tem todo o direito de manifestar a sua raiva. Aliás, é até bom que faça isso, afinal de contas, um mínimo de respeito é fundamental para a relação decolar. E isso implica em estabelecer alguns limites claros entre o tipo de atitude que você tolera e o que não está a fim de aturar. O grande segredo é evitar gritarias, humilhações, choradeiras e afins. Se tiver que dizer algo ao garoto, chame-o para um papo quando estiver mais calma, e seja sincera: conte porque ficou chateada e diga que não gostaria que aquela situação se repetisse. “É comum que a gente resista um pouco antes de falar, que tente fazer joguinhos para chamar a atenção do garoto, como tentar provocar ciúme nele também. Porém, esses comportamentos são bastante arriscados, levam a muito desencontro, sofrimento e tempo perdido. O melhor mesmo é se colocar abertamente, isso facilita o encontro e fortalece a relação”, diz a psicóloga e psicanalista Léa Michaan.

Sai pra lá, uruca!

Se você anda protagonizando ceninhas de ciúme com o pretê dia sim, outro também, o melhor é parar pra rever seus conceitos já, antes que seja tarde. “O primeiro passo é entender que o ciúme não tem nada a ver com amar ou gostar, mas com uma dificuldade em se aceitar. Se estou sentindo muito ciúme do outro, tenho que me perguntar: como está a minha autoestima? Estou me valorizando? Conheço minhas qualidades? É a partir do amor por mim mesma que começo a trabalhar o amor pelo outro, para amar mais e melhor”, ensina Maura.

Outra dica importante para afastar de vez esse sentimento intruso é tentar redirecionar sua atenção, que normalmente está 100% focada no namoro ou ficada. É simples: em vez de passar a tarde toda fuçando o perfil do menino no Orkut, atrás de recadinhos ou depoimentos que possam denunciar algum deslize do gato, que tal pegar um cineminha com as suas amigas? Da mesma forma, durante o futebol dele (para não ligar 350 vezes e perguntar a que horas vão se encontrar), invista num bom tratamento de beleza, em casa. Assim, você vai ficar ainda mais bonita e conseguirá impressioná-lo quando o garoto finalmente chegar. “Encontrar possibilidades de prazer além do namoro é um caminho para fugir do ciúme. Quando a garota centra todas as energias no outro, acaba por sufocá-lo. Além disso, o romance pressupõe um certo risco, um mistério. Se ela gasta todo o tempo correndo atrás do menino, ele passa a se sentir muito confiante e a relação fica sem graça, a menina perde todo o seu valor”, explica a psicóloga Léa Michaan, que é especialista em adolescentes.

 

Quando o ciumento é ele
Tão difícil quanto morrer de ciúmes do menino de quem você está a fim, é levar, na boa, o namoro com um exemplar do tipo “olhou-prolado- o-bicho-pega”. É o garoto que normalmente começa encrencando com o seu melhor amigo e que, num piscar de olhos, acaba achando que toda a sua turma é uma ameaça ao namoro. Da mesma forma, insiste que você não use determinada minissaia e, em dois tempos, está transformando todo o seu armário. Lidar com um menino desses exige paciência e muita firmeza, justamente para acabar o quanto antes com os desmandos dele. “No começo, qualquer menina se envaidece com um namorado desses e até dá corda. Mas, com o tempo, percebe que caiu numa armadilha, pois o ciúme costuma evoluir até tornar a relação insustentável. Então, logo nas primeiras crises, é importante colocar limites.

Nas primeiras crises, é importante colocar limites, devolvendo a responsabilidade ao garoto, pois ele sim é que precisa de tratamento

A pior alternativa é abrir mão para fazer as vontades do outro, pois a tendência é que ele exija cada vez mais”, avisa Maura. Uma conversa franca, nessas horas, também funciona. “Avise desde o começo que, se ele continuar agindo assim, a relação não terá futuro. É uma forma eficiente de trazê-lo à realidade, de fazê-lo repensar suas atitudes. Diga também que, se está com ele, é porque há sentimento envolvido. Portanto, não há motivos para insegurança. Agora, se o menino insistir, o jeito é se afastar aos poucos, pois o ciúme acaba com o afeto, é apenas uma questão de tempo”, complementa Léa Michaan.

 

Invista

Atitudes que ajudam a controlar o ciúme e preservam a relação:

* Admitir que está se sentindo desconfortável com a situação, e conversar com o garoto a respeito, quantas vezes achar necessário.

* Falar com amigos ou familiares sobre as suas encanações, para ver até que ponto a sua insegurança em relação ao menino tem razão de ser. Uma opinião imparcial pode ajudar a separar as suas fantasias (o que a sua cabeça cria) da realidade (o que os fatos realmente comprovam).

* Tentar se colocar no lugar do outro, para ver como você teria reagido naquela mesma situação.

* Manter uma vida paralela à do namorado, por mais que tenha prazer em ficar ao lado dele. Isso significa continuar frequentando as festas da família e dos amigos, investindo nos estudos, praticando esportes, cultivando um hobbie. Assim, você se tornará uma companhia muito mais interessante, e nem vai se lembrar de “ficar no pé” do gato.

* Respeitar os sentimentos e as diferenças do menino em relação a você.

* Ao perceber que não consegue controlar suas emoções, procurar a ajuda de uma psicoterapeuta.

* Acreditar, de verdade, que a sua felicidade não está nas mãos do outro e que ela só depende de você.

Desista

Comportamentos que podem colocar o namoro ou a ficada em risco:

* Armar um bico daqueles ou partir pra ignorância sempre que se sentir intimidada por alguma atitude do menino. Esses confrontos só servem para desgastar a relação.

* Guardar suas encanações só pra você, acreditando que vai superar tudo sozinha. É assim que se alimenta o monstrinho do ciúme, deixando que ele ganhe cada vez mais espaço na sua vida. Ao expor às pessoas em quem você confia os seus medos e dúvidas, vai ficar mais fácil avaliar a sua situação de um jeito realista, descobrindo meios de superar os desafios que o relacionamento está impondo.

* Tentar mudar o menino é pura perda de tempo: o relacionamento dele com os amigos – e amigas! -, as coisas que ele gosta de fazer, os hábitos que costuma ter no dia-a-dia dificilmente serão deixados para trás. Se você realmente está a fim do garoto, o primeiro passo é respeitá-lo, assim como gostaria de ser respeitada. O que não significa aceitar tudo, claro. De qualquer forma, não é porque o menino faz questão de sair só com os amigos que está traindo você. Da mesma forma, se ele tem vááárias amigas, não é justo exigir que se afaste delas. Pense nisso!

* Evitar joguinhos e vinganças, quando estiver se sentindo magoada, é uma boa pedida. Primeiro porque, na hora da raiva, a possibilidade de fazer uma besteira – e se arrepender depois – é imensa. Depois, porque esse é o tipo de tática arriscada, que também pode por tudo a perder. Não vale a pena!

 

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17 de Agosto de 2009 - Posted by | relacionamento humano

1 Comentário »

  1. […] Um monstro chamado ciúme, no blog da psico Léa Michaan. […]

    Gostar

    Pingback por Um monstro chamado ciúme « Verdes Trigos | 7 de Novembro de 2009 | Responder


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