Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

O mais novo transtorno alimentar: Drunkorexia

Anorexia (busca implacável pela magreza), bulimia (ingestão de grandes quantidades de alimentos, comer compulsivo seguido por métodos compensatórios, tais como vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar), monorexia (anorexia masculina), ortorexia (obsessão por comidas naturais, sem químicos ou agrotóxicos), diabulimia (afeta somente pessoas com diabetes tipo 1, na maioria adolescentes: quando o açúcar no sangue está elevado, você perde peso, o jeito de fazer isso é deixar de aplicar a insulina) e a mais recente de todas: drunkorexia (mistura de anorexia e alcoolismo) também chamada de anorexia alcoólica. Que nomes feios são estes? Acredite, são todos variantes para o mesmo problema: transtornos alimentares e compulsão a ingestão.

A drunkorexia é a primeira “filha” nascida de dois transtornos: o alcoolismo e a anorexia. Drunkorexia é uma expressão criada para indicar a mistura de condutas conflitantes: o jejum forçado, associado ao consumo abusivo de álcool. A origem da palavra é inglesa, formada da junção de drunk (bêbado) e anorexia. Este transtorno é fruto de duas problemáticas: uma, é a necessidade de beber para não entrar em contato com as angústias e as questões próprias da vida real, e a outra é a necessidade de estar de acordo com os parâmetros da beleza, ou seja, a magreza, supervalorizada como o primeiro item do padrão de beleza universal.

Estes transtornos, alcoolismo e anorexia originam-se de épocas remotas do nosso desenvolvimento, de quando ainda somos bebes, e possuem a mesma origem – A oralidade – Quando um bebe chora, a mãe, interpreta o choro como sendo uma solicitação de alimento, e a oferta deste alimento é sentido pelo bebe como algo que ele recebe, mas, nem sempre é a sua real demanda. Assim, os sentidos deste ficam confusos, e carregamos esta confusão até a fase adulta, ou seja, não temos claro para nós mesmos qual é a real necessidade, isto é, temos fome de que? Amor? Estamos carentes? Desejamos Alimento intelectual? Projetos de vida? Necessitamos motivação interna, ou externa?

Precisamos reconhecer a origem de nossa Angustia e de nossa Ansiedade, assim como também, dos nossos medos, mas, ao invés de procurarmos a chave que abre o caminho para solucionar nossos anseios dentro de nós, buscamos fora, no lugar inverso. Assim, para dar conta de tudo o que sentimos costumamos abrir a geladeira e procurar lá dentro a tampa do buraco interno que nos aterroriza, como se na comida, bebida, cigarro ou drogas, estivessem o mágico elixir que preenchesse nosso vazio interno. Esta conduta é fruto de nossa tenra infância, pois, o bebe, inicialmente gosta da sensação de saciedade e posteriormente gosta do objeto que lhe proporciona saciedade, além do que, o bebe não diferencia a dor física da dor afetiva, assim como nós que estamos fixados emocionalmente na fase da primeira infância. Muitos de nós aprendemos a ler, e somos graduados e até pós-graduados, além de estarmos muito desenvolvidos profissional e intelectualmente, porém emocionalmente somos completos analfabetos. Por isto, fixados na fase primitiva do desenvolvimento humano – Segundo Freud, a fase oral – Porque é através da boca que o bebe começa a introjetar o mundo. Muitos de nós trocamos a comida (não no sentido de um alimento que nutre) por substancias: álcool, cigarro ou drogas porque estas substancias vieram substituir a comida numa sociedade que supervaloriza a magreza. Portanto, pessoas que se tornam bulímicas ou anoréticas são pessoas que se preocupam muito com o que os outros pensam da aparência delas, supervalorizam o exterior e a própria superfície descompensando ou desequilibrando a energia que poderiam investir no seu interior (reais necessidades, desejos, emoções, seu potencial e seus recursos) deixando-o precário e desconhecendo-se cada vez mais. Consequentemente acreditam que precisam estar muito, aparentemente, adequadas e bonitas para compensar a porcaria que acreditam que são interiormente.

Só há um meio para a pessoa se libertar da compulsão de ingerir comida, álcool, drogas, cigarro, etc. E entrar em contato com suas reais necessidades. Infelizmente as pessoas estão no caminho inverso, isto é, o caminho não é para fora na busca da substancia que, em fantasia, irá dar conta de satisfazer o vazio interno, este caminho, na realidade só aumenta tal vazio que fica rejeitado e abandonado, uma vez que nem é considerado. Mas, o caminho que dará conta de amenizar a angustia e ansiedade vai à direção que leva para dentro de si, porque primeiro é necessário descobrir a origem da carência que nos atordoa e só depois se pode encontrar o elemento adequado para satisfazê-la – Será que a satisfação reside numa mudança de conduta? Numa transformação com relação à vida? Ao outro? Á cultura? O que posso fazer para melhorar minha auto-estima? Começar a me considerar para poder me enxergar além de um pedaço de carne que precisa estar de acordo com a ditadura da moda? Com certeza não é comprar compulsivamente e ter muitos objetos bonitos para compensar a falta de belos atributos internos; beber, ou se drogar para esquecer de si e entorpecer a dor? Pois pensamos que somos assim tão fracos e sem recursos que só nos resta fugir, bebendo ou se drogando, e com isso aumentar o vazio interno e consequentemente os transtornos alimentares, alcoólicos, etc.

 Os transtornos alimentares, o uso abusivo de álcool e drogas, nada mais são do que expressões particulares de defesa contra a angustia.

Comer muito (obesidade) ou não comer nada (anorexia) são duas faces da mesma moeda, pois, nestes dois caminhos está na boca o lugar que escolhemos para resolver nossas profundas questões, tanto faz se a escolha for à de nos abarrotarmos de comida ou nos privarmos desta, as duas condutas são uma vã tentativa de resolver uma questão de outra demanda que é emocional e psicológica.

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25 de Outubro de 2009 - Posted by | transtorno alimentar - drunkorexia

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