Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Entrelaces Emocionais Entre Torcedores e Time

Sempre achei que as coisas fossem muito mais aquilo que elas representam do que a sua concretude. Mas ontem à noite quando fui ao estádio do Pacaembu e assisti ao jogo: Corinthians X Internacional, o meu achismo transformou-se em ciência.

Tudo começou porque há um menininho, vizinho do nosso prédio que cada vez que há gol durante os jogos do Corinthians, põe a cabeça para fora da janela e grita com todas as suas forças:

“Aqui tem um bando de louco; Louco por ti Corinthians; Aqueles que acham que é pouco; Eu vivo por ti Corinthians; Eu canto até ficar rouco; Eu canto para te empurrar; Vamo, vamo, meu timão; O vamo meu timão; Não para de lutar”.

Os vizinhos devem achar o menino louco, mas não sei porque, o poder das emoções deste menino me comoveram. Foi então que eu pedi aos meus filhos, dois moleques, um de treze e outro de catorze anos, para me ensinarem a letra da música, uma vez que eu queria saber o significado das palavras que saiam com tanta garra da boca de um menininho.

Meus filhos foram além, e me mostraram pela internet a imagem de milhares de pessoas gritando juntas a plenos pulmões e fazendo o mesmo movimento de vai e vem com a mão fechada como se estivessem, de fato, empurrando os jogadores para realizar o gol; Faziam olê, levantando e sentando no ritmo de um coração que vibra por seu time, e colaboravam uns com os outros, numa incrivel sintonia para erguer, sobre suas cabeças a gigantesca bandeira que ganhava vida nas milhares de mãos que a levantavam.

Devo confessar que ao ver aquele mundo de gente conectada mental e emocionalmente, através de um jogo que transformava milhares em um, senti um nó na garganta e pedi para eles me levarem para assistir um jogo do Corinthians, afinal, como psicóloga que estuda a mente e as emoções humanas, eu precisava ter esta experiência ao vivo, dentro do estádio e sentindo na pele o calor destas emoções.

Do lado de fora do estádio já ouvia-se os gritos de guerra da torcida do “poderoso timão”, que só se tornou poderoso graças as pessoas que lhe atribuem poder. Logo que entrei no estádio, adorei o clima de vida, que pairava no ar. Era impossível não se contagiar da energia feita da garra, luta, perseverança, batalha, fé, esperança, desejo, e sai lá mais o que? Uma vez que nem tudo é nominável, mas que os pedacinhos dessas coisas todas, ditas e não ditas, colavam em nossas emoções e todo o resto parecia pequeno, menos importante, irrelevante e infimo.

O mais bonito de tudo era enchergar aquilo que um time pode representar aos seus torcedores: A sensação maravilhosa de pertencimento; De não solidão ou não solitário; A compensação das proprias perdas través das vitórias das partidas; A possibilidade de realizar o luto individual das nossas pequenas perdas junto com uma grande comunidade nas derrotas; O time é o lugar para atualizar nossas competições e rivalidades; Talvez já não torçamos por nós mesmos, há muito tempo, então compensamos isso, torçendo pelo time; Talvez a vida não nos anima e encontramos aquela motivação perdida, no time, que de alguma maneira misteriosa se confunde com nós mesmos e, assim, vivemos as glórias do time, como sendo nossas, e as derrotas como de alguém muito próximo o qual amamos incondicionalmente, e dando este amor também recebemos, o tão almejado amor incondicional, que todos nós desejamos receber e através da magia do futebol, isto se torna possível.

Mesmo que o propósito que me levou ao estádio não ter sido o jogo em si, a partida foi bonita, não nego. É comovente ver alguém dar tudo de si para realizar, nem que seja, a tentativa de um gol. Além disso, quantas horas e dedicação estes atletas não deram de suas vidas para ocupar o lugar que conquistaram?

Foi bonito ver a bola rolando entre os pés mágicos desses dançarinos sem ginga e sem traquejo para o rebolado, mas com muita arte para o futebol. E para quem pudesse ouvir a bela conversa silenciosa que se deu entre torcedores e atletas, a cada vez que a bola ia para o lado que favorecia o time do coração todos estavam chutando juntos da maneira que podiam, através de assobios, palmas e aclamações, e quando perigava do time adversário realizar o gol, ouvia-se num só sussurro o frio que pairava nas milhares de barrigas dos torcedores em sintonia com a dos atletas num encontro, tantas vezes raro de acontecer entre duas únicas pessoas.

Só sei que na hora do pênalti, perdi o gol porque estava hipnotizada olhando para as pessoas rezando com muito fervor, pedindo a Deus que o gol se realizasse. Neste momento, as pessoas, rezavam por si próprias e procuravam se conectar com uma força maior e pedir ajuda para realizar seus tão desejados gols nesta vida dura, mas que ganha um colorido quando o time joga e ganha e perde e, principalmente, luta.

Por fim, aquele menino pequeno que grita da janela: “aqui tem um bando de loucos…”. Está misturado ao time, assim como o time misturado nele e nem ele e nem ninguém pode dizer ao certo aonde termina o menino e começa o time, ou onde termina o time e começa o menino, pois o tanto que o menino faz pelo time, o time faz, tanto ou mais, pelo menino.

Léa Michaan, 04/06/2010

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13 de Junho de 2010 - Posted by | Psicologia do Futebol

4 comentários »

  1. Gostei muito do texto… Parabéns!!!

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    Comentar por Patricia | 3 de Dezembro de 2015 | Responder

  2. Tenho filho de 12 anos, de uns dois anos lá cá nossa relação ficou muito difícil, não sei como controlar ele, já bati, chorei, pedi e ele não me obedece. Tem horas que ele é muito carinhoso diz que ama me beija, mas se ele for contrariado, por qualquer motivo, ele explode! Bate porta, quebra as coisas, já não sei o que fazer! Fui a um Neuro que disse que ele tem Tdah, eu estou desolada com isso, já chorei e tudo! Quando eu mando ele fazer alguma coisa ele responde e se eu chego perto ele diz que não tem medo de mim, que me odeia!! Eu fico em frangalhos, amo tanto meu filho, mais sinto que estou perdendo ele! Ele mora comigo e com o pai, damos carinho e amor!! Sempre que chego, pergunto como foi o dia dele, tento conversar, às vezes ele responde, as vezes, não! Hoje, por exemplo, cheguei conversei bastante com ele, sobre o que ele sente, disse p ele tentar se por no lugar das pessoas, p ele pensar antes de falar, pq as coisas que ele faz, só prejudicam a ele mesmo! Ele ouviu tudo, falou que me ama! Depois disso desse p ele ir tomar banho, foi o que bastou p ele começar a me responder, eu fui falar com ele p parar, ele ficou falando p mim sair e bateu à porta do banheiro, eu saí e disse que ele não iria mais jogar vídeo game pq era hora de dormir, ele ficou furioso, bateu à porta! Quando ele entrou p banheiro eu peguei o vídeo game dele e guardei, ele saiu do banheiro e me perguntou, quando eu falei, ele deu um monte de pulos e socos na parede, até quebrou o interruptor! Falou que me odeia! Gritou chorou! Ele quando está com raiva, começa a me ofender! Eu já chorei muito! Hoje me contive, aí passou um tempinho e ele veio me pedir desculpas! Mas sempre é assim! Muito difícil! Ele quer sempre me desafiar, o tempo inteiro! P ele fazer as coisas e uma briga, ele se explode por tudo! O que devo fazer? Tenho medo dele continuar assim quando crescer! Sem falar que ele não que estudar, sempre falo da importância dos estudos p vida dele, cito exemplo dos primos que estão bem, em boas faculdades, ele até concorda, mas não se interessa por nada, p ele, tudo tanto faz!
    Eu fico arrasada! Não sei o que fazer! Me culpo muito!
    Mas não sei qual é o meu erro! Não gosto de bater nele, mas às vezes perco a paciência, ele diz, pode bater, não dói mesmo! Minha vida com ele está muito difícil! Eu o amo tanto!! Tenho muito medo de perder meu filho!
    Queria que ele sentisse orgulho de mim, que quando crecer tenha prazer em me ver, em estar comigo!
    Mas acho que isso não irá acontecer!!
    Qu nunca fui assim! Sempre tive medo de falar as coisas p meus pais e magoar eles. Meu filho pensa ao contrário, fala pane magoar, não quer aceitar limites!
    O que eu devo fazer?

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    Comentar por Rafa | 31 de Maio de 2016 | Responder

    • Não retire as coisas dele, lembre-se, seu filho sente e merece. Ser respeitado como um adulto. Ele só precisa de orientações que devem ser dadas de forma muito ética e respeitando os desejos, anseios e necessidades de seu filho.

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      Comentar por leamichaan | 6 de Junho de 2016 | Responder

  3. Continuando minha resposta, faça acordos, deixe claro que você compreende ele, que você sabe que ele sofre quando é contrariado, porque todos sofrem, que você não tira as coisas dele para agredir, mas um uma maneira que você encontrou para ajudar, e talvez a agressividade com que isto é feito, mais atrapalha do que ajuda. Então, peça ajuda para ele te ajudar a ajudá-lo, vamos educar nossos filhos com amor e não com raiva porque Léa não fazem o que queremos, mesmo que seja para o bem deles,
    Um abraço,
    Léa

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    Comentar por leamichaan | 6 de Junho de 2016 | Responder


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