Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Porque resistimos tanto a mudanças, mesmo que elas nos tragam benefícios?

Esta é uma entrevista que concedi à mídia e compartilho com vocês na esperança que seja útil para nos abrirmos à mudanças…
Porque mudar os hábitos e abandonar velhos vícios é tão difícil?
Cada um de nós encontra a própria maneira de ser e de viver que é a forma que nos foi possível para compensar, encobrir, conviver ou driblar nossas faltas, excessos, intrusões, carências, traumas, frustrações, superproteções, negligencias, privações, exigências, mimos ou sofrimentos desde que somos concebidos, no útero, ou até mesmo muito antes nos ideais de nossos pais. Este jeito peculiar de cada ser humano pode parecer aos olhos dos outros, e até de nós mesmos, uma forma às vezes incoerente, ou com vícios e até improdutiva, mas foi desse jeito que conseguimos nos equilibrar na vida apesar dos pesares. Esta forma as vezes cheia de vícios, improdutiva ou incoerente pode ter sido herdada da pessoa que foi nossa referencia no início da vida: mãe, cuidadores ou ambiente, mas, mais do que tudo é a maneira que encontramos pra sobreviver, é o que nos salvou do caos. Por exemplo, se somos compradores ou comedores compulsivos, pode ser a maneira que encontramos para tampar a carência que se formou dentro de nós e por isso sentimos necessidade de agregar objetos ou comida, como uma forma de “tapar o buraco”. O nosso excesso de tecido adiposo, ou o excesso de objetos que consumimos vorazmente é uma demonstração de que algo não vai bem é um pedido de socorro, e até uma esperança de sermos ajudados. Temos dificuldades em deixar a maneira viciante e improdutiva de ser porque de alguma maneira isto que nos faz mal, foi o que tínhamos para nos agarrar, foi nossa tábua de salvação e temos muito medo de deixa-la. E também, porque não nos conhecemos o suficiente para encontrarmos exatamente aquilo que vai nos preencher e realizar. Por isso é tão difícil largar antigos hábitos e vícios. Pode ser: cigarro, comida, mania de consumo, necessidade excessiva de namorar, enciumar, controlar, e por aí vai.
É comum mulheres criarem empecilhos que atrapalhem nestas mudanças?
Sim, sentimos muito medo de mudar, porque temos medo do desconhecido e estes empecilhos são nossas resistências. Tanto homens quanto mulheres podem ter dificuldade em mudar. Talvez a herança cultural transformou a mulher num ser, as vezes mais dependente, então sente mais dificuldade em mudar porque não se responsabiliza por suas ações. Mas esta colocação pode ser questionável.
Porque esta autossabotagem pode acontecer?
Autossabotagem é realizar um dano a si mesmo impedindo que as coisas deem certo. Fazemos isto por várias razões, uma delas é porque queremos ser vítimas nessa vida, ou seja, criamos uma teoria sobre nós mesmos de que somos vítimas e inconscientemente trabalhamos no sentido que a nossa teoria sobre nós mesmos tenha êxito. Se deixarmos de ser vítimas, inconscientemente, corremos o risco de não sermos nada, ou sermos vilões. Outra possibilidade é o masoquismo.
É muito difícil notar esta atitude negativa?
Sim, como disse o grande filósofo francês Jean Paul Sartre: “O inferno são os outros”. Além disso, as pessoas não se responsabilizam pelas próprias ações. Sempre costumam procurar culpados nem que seja o destino. Quando começamos a nos responsabilizar pela nossa vida, ela melhora. Mas a primeira dificuldade é nos percebermos, e a segunda dificuldade é mudar.
Como podemos enxergar esta autossabotagem?
Responsabilizando-se pelos nossos atos; pensando de forma útil e produtiva antes de agir; ou, fazendo uma boa análise com profissional.
Como podemos não cometer estes erros?
Isto é impossível, o ser humano é falível, ninguém tem bola de cristal para ver o futuro. Mas, o que pode ser feito para minimizar os erros é: entender que é errando que se aprende e aprender com a experiência. E mais do que tudo: desenvolvendo nosso aparelho para pensar.
Créditos: Léa Michaan – Psicanalista
Pós graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela USP
Mestre em Psicologia Clinica pela PUC
Autora do livro Maly – Superação em forma de ficção

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6 de Abril de 2014 - Posted by | Sem categoria |

2 comentários »

  1. Sabe, Lea. Li seu artigo e outros sobre amores, e porque sofremos tanto por e com o amor. E como me identifiquei!! Já tive é vivi alguns amores, loucas paixões e algumas relações mornas, enfim , creio que todos tivemos esse mix de relacionamentos.
    Hoje, estou noiva, de uma relação nova, que vai fazer 1 ano ainda. Meu noivo é apaixonado, afetuoso, comprometido,e muito romântico. Logo, eu deveria estar feliz, pois tenho um homem raro que me ama: um trabalho que gosto, casa e carro próprios, sou bonita e muito paquerada e tenho uma vida social interessante ,Mas não estou! Não consigo me entregar de alma a esse novo amor . Talvez porque ainda lembre do amor anterior, uma relação forte, passional,intensa e sofredora. Racionalmente falando, não quero mais aquela relação, que de tão intensa me exauria por completo. Foram 2 anos de idas e vindas, muita ardor e muito sofrimento. Terminamos e seguimos, tanto ele quanto eu estamos em novas relações e nem sequer nos falamos mais..Eu queria, deveria, poderia estar feliz, mas sinto essa vazio, e me pego pensando nessa relação ” 8 ou 80″ que vivi, e sinto até saudades. Não, isso não pode ser normal e nem saudável. Não existe ínfima possibilidade de volta, e ainda que tivesse,tenho plena certeza de que não seria bom para ambos. Então porque não esqueço? Porque não retribuo o amor que recebo dessa nova relação? Porque não enterro definitivamente esse passado e me deixo embalar docemente pelo que vivo? Porque sou assaltada por lembranças e nostalgia,quando podia simplesmente amar e ser amada? Estou muito triste, pois acho que não estou sendo justa com meu noivo, já que apesar de gostar dele e admirá-lo muito, não o amo; e nem comigo por me cobrar sentir mais do que sinto. Ajude-me a me ajudar.

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    Comentar por liapoeta | 21 de Novembro de 2014 | Responder

    • O ser humano é tão complexo… Valorizamos o que não temos. O coração de uma mulher é um mistério. Esta paixão que você vê no cinema e nas novelas não existe na vida real. Porque como você bem falou, ou arrebata, ou é morno… As mulheres têm uma tendencia a se apaixonar por homens que as fazem sofrer. Os bonzinhos, não nos fazem tremer nas bases. Você está vivendo esta realidade. A calmaria do amor atual não te satisfaz, o arrebatamento do amor apaixonado te consome. Concordo que você fez a escolha certa. Não gosto da palavra certo ou errado, mas sua escolha é mais útil, produtiva e em prol do desenvolvimento. Você está noiva, isto indica que quer formar familia, casar. você pode aprender a extrair paixões da vida, do mundo, do seu desenvolvimento pessoal, de seu filho, e o seu marido será seu porto seguro. É importante sabermos aceitar que não é possível estar plenamente realizado em todas as áreas da vida. O amor é uma área que não depende só de nós, por isso, procure este frisson que falta na relação afetiva em outras áreas e aprenda a amar a tranquilidade que seu noivo te transmite, Procure aceitar o que é possível ter e ser.
      Felicidades,
      Um abraço,
      Léa

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      Comentar por leamichaan | 30 de Novembro de 2014 | Responder


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