Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Por que é tão difícil esquecer um grande amor?

Tenho recebido algumas cartas de leitores me perguntando porque sofremos tanto de amor? E porque é tão difícil esquecer um amor. Aqui escrevo uma resposta que pode elucidar a situação e ajudar cada um que passa por isso a ter mais consciência do que acontece em seu psiquismo e causa tanto sofrimento e dor na difícil tarefa de esquecer um grande amor:
Cada pessoa tem um ritmo pessoal e particular para se relacionar com o outro no tempo, no espaço, com as pessoas, com os objetos e os elementos da cultura. Assim sendo, cada um de nós necessita de um determinado tempo significativo e satisfatório de experiencia na relação com a pessoa amada que pode ser diferente do tempo do nosso parceiro. Então, quando não há sintonia entre o nosso tempo e o da pessoa amada sofremos para esquecer o nosso amor. Uma vez que ele ainda é uma amor para nós ao mesmo tempo em que deixamos de ser um amor para ele. Ou seja, nós ainda não acabamos de amar enquanto ele já terminou. Nós estamos no ainda e ele está no já, então, estamos fora de sintonia. Dito de outro modo, nós ainda estamos disponíveis para ele, ansiando por esta pessoa que já se tornou indisponível para nós, e isto dói muito. Pode ser que os propósitos que nos levaram a nos relacionar foram diferentes e se desencontraram, porque na medida que quero amar, o outro quer conquistar, ou seja, eu estou mais interessada no ser, e ele no ter, no estar que é relativo a conquista.
Agora você ainda pode perguntar por que sofro tanto? E eu te respondo, porque é na relação com o outro no tempo e no espaço que nós constituímos o nosso Eu desde que somos bebês na relação de ternura com a nossa mãe, até quando nos tornamos adultos na relação fraternal, de amizade e amorosa, por isso, o outro é vital em nossa vida. Portanto, se não há alguém significativo, ao invés de constituição do si, há dor que atravessa a nossa mente, o nosso corpo e o nosso ser.
Assim sendo, o ser humano carece de cuidados tanto quanto carece de alimento, água ou ar para a sobrevivência. Se não há alimento o corpo morre, se não há cuidados e afeto, a pessoa respira e o coração bate, mas o sentimento é como se ela estivesse morta, porque o cuidado atinge o corpo, a alma e a mente do humano e quanto mais a pessoa experienciar o afeto e guardar reserva de amor dentro de si, mais consegue constituir de forma abrangente o seu Eu que é formado pelo conjunto das experiências relacionais.
Quando não temos alguma pessoa significativa em nossa vida, sentimos o nosso Eu despencar numa experiencia de tédio que é ausência do sentido de tudo.
Como sair desse sofrimento?
Desenvolvendo a capacidade de nos alimentarmos afetivamente de várias pessoas, entre elas: amigos, familiares, colegas e pessoas do nosso convívio e, principalmente guardando na memória o afeto recebido.
O problema acontece quando nos sentimos impossibilitados de transitar entre as diferentes pessoas com as quais nos relacionamos e investimos todo o nosso afeto num único alvo, esperando que ele dê conta de todos os nossos anseios.
É importante lembrar que conforme pudermos guardar a memoria do afeto recebido dentro de nós, poderemos nos relacionar com mais tranquilidade com a pessoa amada e nos alimentarmos afetivamente inclusive dos elementos da cultura, como livros, filmes, musicas e experiências de vida, tornando-nos pessoas mais equilibradas nas relações afetivas, menos dependentes e assim sofreremos bem menos por amor.

Léa Michaan,
25/05/2014

25 de Maio de 2014 Posted by | Por que é tão difícil esquecer um grande amor? | | 78 comentários