Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Por que falamos coisas que agridem, atacam e ferem as pessoas? E como lidar quando os outros falam coisas cruéis para nós.

Às vezes somos tomados por sensações, pensamentos ou sentimentos muito ruins. Análogo à quando comemos algo que está estragado e nos faz mal, não conseguimos digerir e evacuar aquilo que está dentro de nós e precisamos vomitar. Isto é, a coisa ruim transborda porque é intolerável para nós, portanto, não conseguimos contê-la dentro do nosso organismo.

A mesma coisa acontece no nosso psiquismo, quando somos invadidos por pensamentos e sentimentos ruins, não conseguimos conter este mal estar dentro de nós e isto transborda e magoamos e ferimos as pessoas. Depois nos sentimos péssimos com a gente mesmo, porque estas ações nos transformam e pessoas cruéis, sadicas, agressivas e afastam os outros de nós. Por isso, é muito importante a gente entrar em contato com os sentimentos e pensamentos que nos acometem e tentar nos perceber e expulsar estes pensamentos ruins que geram sentimentos ruins também. E encontrar bons pensamentos para por no lugar dos maus. Nos perceber invejando ou nos comparando e interromper o mal estar que estas condutas internas causam em nós é o primeiro passo para nos tornarmos infernos ambulantes. Porque a inveja é a comparação tem o poder de destruir tudo de bom que temos, estes mecanismos localizam o bom no outro e o mau em nós. Este é o jeito mais rápido de chegarmos ao inferno e de nos tornarmos infernais. E encontrar motivos para nos sentirmos gratos com a vida, o mundo, e também encontrar coisas criativas e úteis para nós ocupar porque realizar trás bons sentimentos. 

Agora que sabemos o que faz a gente se tornar agressiva, podemos compreender o que faz o outro ser assim também. E da próxima vez que alguém te disser algo cruel, ao invés de você ficar ofendido(a), lembre-se que está pessoa está transbordando, que pode não ser nada pessoal, e mesmo que for, talvez isto aconteceu porque até agora você não sabia lidar com o teu mal estar e despejava no outro. A partir de agora, exercite o seu bem estar e consequentemente, como num passe de mágica, as pessoas que estarão próximas de você também se sentirão bem ao seu lado. Todos nós exalamos o que há dentro de nós, por isso é vital olhar, refletir e cuidar do nosso mundo interno,

Um abraço,

Léa

28 de Maio de 2016 Posted by | relacionamento humano | 7 comentários

Relacionamento Humano – Por que é tão importante saber se relacionar bem?

 

Você já percebeu que o mais importante daquilo que realmente fica marcado em nossas lembranças e se entrelaça em nossas vivencias de alegria e felicidade não são as belas compras que fazemos nem as joias ou os bens que adquirimos, mesmo porque desejamos vestir belas roupas ou joias para aparecermos bem “na fita” aos olhos das outras pessoas, ou porque ingenuamente, pensamos que se estivermos bem vestidos desenvolveremos bons relacionamentos. Além do que, os bens adquiridos podem nos trazer conforto e até um tipo de admiração aos olhos dos outros, porém esta admiração é extrínseca ao nosso ser. É o que eu chamo de pseudo-admiração onde a que a pessoa não é admirada pelo que é, mas pelo que têm e isto gera muitos problemas na autoestima já que esta pessoa se sente anulada diante de seus pertences que acabam falando mais alto do que a existência desta pessoa independentemente de seus pertences.

Ou seja, o sujeito batalhou para adquirir bens, achando que por meio destes seria amado e admirado, e depois de alcança-los estes ofuscam o que ele é. Tais apetrechos conquistados a duras penas por meio do nosso suado trabalho, podem até ser prazerosos de usufruir, mas não dizem quem somos só o que temos. Nem preenchem nosso coração de alegria, calor e emoção como ocorre quando experimentamos raros momentos de uma boa relação humana. Nem mesmo as viagens que realizamos preenchem nossa vida de felicidade. Sem duvida uma bela viagem é algo que nos acrescenta experiência e conhecimento, pode até mesmo ser algo prazeroso e as lembranças daquele lindo lugar tornarem-se inesquecíveis, mas nada, nada mesmo pode nos dar tanta felicidade quanto o bom relacionamento que podemos engajar, principalmente com as pessoas mais próximas de nós.

                Falando nisso, você já reparou que somos muito mais amistosos e gentis com as pessoas que são menos próximas e intimas de nós? Isto acontece porque quanto mais tempo de convivência juntos, temos menos medo de causar má impressão e menos medo de que o relacionamento se rompa. Ás vezes somos tão íntimos, mas tão íntimos de uma pessoa que projetamos nela todas as nossas deficiências, tudo o que não toleramos em nós, num processo inconsciente, expulsamos de nós e “colocamos” no outro, enxergando o que não toleramos em nós no outro. E este se torna o depositário das nossas falhas, fracassos, imperfeições e déficits. Enfim, o nosso saco de pancada. Mas, na realidade deveria ser o ao contrário. Aquele que passa mais tempo com a gente deveria ser a relação mais bem investida e cuidada. Mesmo que por egoísmo, ou como diz um colega: euísmo. Do mesmo jeito que a gente investe mais naquilo que é permanente, do que naquilo que é provisório.

                Bem, então se você quer saber o que traz mais felicidade ao ser humano, saiba que são as qualidades dos nossos relacionamentos. Os momentos de verdadeiros encontros em detrimento às ocasiões de desencontros.

Mas, o que é um encontro? É claro que não me refiro ao encontro físico. Então, um verdadeiro encontro entre pessoas acontece quando compreendemos o outro e somos compreendidos; quando estamos abertos para receber em nós o que há no outro e vice versa, ou seja, do outro em relação a nós. Quando nossos sentimentos, anseios, emoções ou angustias podem repousar na mente e nas emoções de alguém além de nós. Quando não estamos sozinhos, é quando outra pessoa ocupa sua mente e emoções com o que há em nós. É aquela sensação de estar junto com. Tanto faz se é uma situação de alegria ou se é de tristeza, mas o que importa, é que as emoções e as ideias sejam compartilhadas.

Quando os interesses e os investimentos emocionais e intelectuais são os mesmos, nestes poucos e raros momentos as pessoas se encontram, deixam de ficar ensimesmadas e sentem um calor envolve-las. Estão juntas e se encontrando numa boa relação. Isto acontece quando mais de uma pessoa compartilha do mesmo clima emocional e mental.

Esta cumplicidade é tão boa como se a gente tivesse envolvido numa nuvem quentinha e muito agradável. É tão bom como quando se está fisicamente envolvido por águas mornas, só que bem melhor, pois estamos falando de um envolvimento menos superficial que a pele. Mais intenso e profundo do que o físico. Estamos falando de um envolvimento emocional. Nessas ocasiões estamos tão deliciosamente envolvidos uns com os outros que não sobra mente para nos percebermos. Estamos inteiramente tomados deste e neste encontro, por isso só depois quando nos lembramos dos raros e bons momentos do encontro é que sentimos saudade. Mas não sabemos como ou o que fizemos para atingir esta feliz sensação. Quando há encontro, estamos inteiros dentro desta relação, imersos, e não resta uma parte de nós preservada, não envolvida ou não tomada. Isto é não há um estado em nós que não esteja entrelaçado no encontro e que possa se enxergar do lado de fora da relação para que possa se observar e apreender a técnica do bom relacionamento, e por meio desta aprendizagem poder principalmente, entrar ou sair a bel prazer desses deliciosos encontros.

Sabe-se que o que fortalece uma pessoa é fazer parte de um grupo. Para ilustrar o que digo, trago um conto judaico: Um bom rei estava morrendo. Diante de todos os súditos emocionados, ele pede que alguém traga uma flecha, e pede que o mais fraco dentre todos a quebre. Este o faz sem a menor dificuldade. Então ele pede um feixe de flechas e pede que o homem mais forte dentre todos o quebre. Apesar de todos os esforços, este homem não consegue partir o feixe. Virando-se para os súditos o rei diz: “Como herança deixo a união em vosso seio. Sedes unidos uns aos outros. Essa união vos trará grande fortaleza, tal que sozinhos jamais sereis capaz de alcançar”.  

Saber se relacionar é muito importante porque todo ser humano sente necessidade básica de se sentir aceito, querido, desejado, valoroso, legitimado e importante. Necessitamos tanto disso que praticamente vivemos para isso: nossas escolhas são baseadas em nossas crenças em atingir estes objetivos. E é no relacionamento com o outro que podemos, ou não nos sentir assim. Se soubermos nos relacionar de modo a aceitar o jeito do outro ser e nos alimentar dessas relações. Sim, falei nos alimentar da relação porque só crescemos na relação com o outro, caso contrário, ou se nos relacionarmos apenas com nos mesmos, não há ingredientes para transformação tal qual o preparo de um alimento – para se fazer arroz é necessário: água, sal, panela e fogo. Grão de arroz com grão de arroz não se transforma em alimento. Análogo a uma pessoa que não sabe se relacionar.

Ao nos alimentarmos da relação, aceitando o modo de ser do outro, não apesar de ser diferente do nosso, mas exatamente por esta razão, faremos o outro sentir-se importante, querido, aceito, legitimado e valoroso, e se alguém se sente assim com a gente desejará a nossa companhia e fará com que sejamos aceitos, legitimados, valorosos e importantes tal qual as águas refletem a imagem daquilo que nelas 

Você já percebeu que o mais importante daquilo que realmente fica marcado em nossas lembranças e se entrelaça em nossas vivencias de alegria e felicidade não são as belas compras que fazemos nem as joias ou os bens que adquirimos, mesmo porque desejamos vestir belas roupas ou joias para aparecermos bem “na fita” aos olhos das outras pessoas, ou porque ingenuamente, pensamos que se estivermos bem vestidos desenvolveremos bons relacionamentos. Além do que, os bens adquiridos podem nos trazer conforto e até um tipo de admiração aos olhos dos outros, porém esta admiração é extrínseca ao nosso ser. É o que eu chamo de pseudo-admiração onde a que a pessoa não é admirada pelo que é, mas pelo que têm e isto gera muitos problemas na autoestima já que esta pessoa se sente anulada diante de seus pertences que acabam falando mais alto do que a existência desta pessoa independentemente de seus pertences.

Ou seja, o sujeito batalhou para adquirir bens, achando que por meio destes seria amado e admirado, e depois de alcança-los estes ofuscam o que ele é. Tais apetrechos conquistados a duras penas por meio do nosso suado trabalho, podem até ser prazerosos de usufruir, mas não dizem quem somos só o que temos. Nem preenchem nosso coração de alegria, calor e emoção como ocorre quando experimentamos raros momentos de uma boa relação humana. Nem mesmo as viagens que realizamos preenchem nossa vida de felicidade. Sem duvida uma bela viagem é algo que nos acrescenta experiência e conhecimento, pode até mesmo ser algo prazeroso e as lembranças daquele lindo lugar tornarem-se inesquecíveis, mas nada, nada mesmo pode nos dar tanta felicidade quanto o bom relacionamento que podemos engajar, principalmente com as pessoas mais próximas de nós.

                Falando nisso, você já reparou que somos muito mais amistosos e gentis com as pessoas que são menos próximas e intimas de nós? Isto acontece porque quanto mais tempo de convivência juntos, temos menos medo de causar má impressão e menos medo de que o relacionamento se rompa. Ás vezes somos tão íntimos, mas tão íntimos de uma pessoa que projetamos nela todas as nossas deficiências, tudo o que não toleramos em nós, num processo inconsciente, expulsamos de nós e “colocamos” no outro, enxergando o que não toleramos em nós no outro. E este se torna o depositário das nossas falhas, fracassos, imperfeições e déficits. Enfim, o nosso saco de pancada. Mas, na realidade deveria ser o ao contrário. Aquele que passa mais tempo com a gente deveria ser a relação mais bem investida e cuidada. Mesmo que por egoísmo, ou como diz um colega: euísmo. Do mesmo jeito que a gente investe mais naquilo que é permanente, do que naquilo que é provisório.

                Bem, então se você quer saber o que traz mais felicidade ao ser humano, saiba que são as qualidades dos nossos relacionamentos. Os momentos de verdadeiros encontros em detrimento às ocasiões de desencontros.

Mas, o que é um encontro? É claro que não me refiro ao encontro físico. Então, um verdadeiro encontro entre pessoas acontece quando compreendemos o outro e somos compreendidos; quando estamos abertos para receber em nós o que há no outro e vice versa, ou seja, do outro em relação a nós. Quando nossos sentimentos, anseios, emoções ou angustias podem repousar na mente e nas emoções de alguém além de nós. Quando não estamos sozinhos, é quando outra pessoa ocupa sua mente e emoções com o que há em nós. É aquela sensação de estar junto com. Tanto faz se é uma situação de alegria ou se é de tristeza, mas o que importa, é que as emoções e as ideias sejam compartilhadas.

Quando os interesses e os investimentos emocionais e intelectuais são os mesmos, nestes poucos e raros momentos as pessoas se encontram, deixam de ficar ensimesmadas e sentem um calor envolve-las. Estão juntas e se encontrando numa boa relação. Isto acontece quando mais de uma pessoa compartilha do mesmo clima emocional e mental.

Esta cumplicidade é tão boa como se a gente tivesse envolvido numa nuvem quentinha e muito agradável. É tão bom como quando se está fisicamente envolvido por águas mornas, só que bem melhor, pois estamos falando de um envolvimento menos superficial que a pele. Mais intenso e profundo do que o físico. Estamos falando de um envolvimento emocional. Nessas ocasiões estamos tão deliciosamente envolvidos uns com os outros que não sobra mente para nos percebermos. Estamos inteiramente tomados deste e neste encontro, por isso só depois quando nos lembramos dos raros e bons momentos do encontro é que sentimos saudade. Mas não sabemos como ou o que fizemos para atingir esta feliz sensação. Quando há encontro, estamos inteiros dentro desta relação, imersos, e não resta uma parte de nós preservada, não envolvida ou não tomada. Isto é não há um estado em nós que não esteja entrelaçado no encontro e que possa se enxergar do lado de fora da relação para que possa se observar e apreender a técnica do bom relacionamento, e por meio desta aprendizagem poder principalmente, entrar ou sair a bel prazer desses deliciosos encontros.

Sabe-se que o que fortalece uma pessoa é fazer parte de um grupo. Para ilustrar o que digo, trago um conto judaico: Um bom rei estava morrendo. Diante de todos os súditos emocionados, ele pede que alguém traga uma flecha, e pede que o mais fraco dentre todos a quebre. Este o faz sem a menor dificuldade. Então ele pede um feixe de flechas e pede que o homem mais forte dentre todos o quebre. Apesar de todos os esforços, este homem não consegue partir o feixe. Virando-se para os súditos o rei diz: “Como herança deixo a união em vosso seio. Sedes unidos uns aos outros. Essa união vos trará grande fortaleza, tal que sozinhos jamais sereis capaz de alcançar”.  

Saber se relacionar é muito importante porque todo ser humano sente necessidade básica de se sentir aceito, querido, desejado, valoroso, legitimado e importante. Necessitamos tanto disso que praticamente vivemos para isso: nossas escolhas são baseadas em nossas crenças em atingir estes objetivos. E é no relacionamento com o outro que podemos, ou não nos sentir assim. Se soubermos nos relacionar de modo a aceitar o jeito do outro ser e nos alimentar dessas relações. Sim, falei nos alimentar da relação porque só crescemos na relação com o outro, caso contrário, ou se nos relacionarmos apenas com nos mesmos, não há ingredientes para transformação tal qual o preparo de um alimento – para se fazer arroz é necessário: água, sal, panela e fogo. Grão de arroz com grão de arroz não se transforma em alimento. Análogo a uma pessoa que não sabe se relacionar.

Ao nos alimentarmos da relação, aceitando o modo de ser do outro, não apesar de ser diferente do nosso, mas exatamente por esta razão, faremos o outro sentir-se importante, querido, aceito, legitimado e valoroso, e se alguém se sente assim com a gente desejará a nossa companhia e fará com que sejamos aceitos, legitimados, valorosos e importantes tal qual as águas refletem a imagem daquilo que nelas

1 de Março de 2011 Posted by | relacionamento humano | 6 comentários

Um monstro chamado ciúme

Quando o medo de perder o garoto entra em jogo, a primeira reação é partir para a pegação de pé. Pronto! É tudo o que esse vilão precisa para melar, de vez, mais uma história de amor.

Por Rita Trevisan

 

Não importa se o garoto é um namorado ou ficante. Quando bate aquele ciúme, é natural que a nossa primeira tentativa seja a de marcar o território, com atitudes que demonstrem ao garoto o quanto estamos desconfortáveis com a situação. O problema todo é que, em 99,9% das vezes, passamos o recado de um jeitinho não muito inteligente: armamos um bico daqueles, partimos para a discussão, ou simplesmente “colamos” no menino, para evitar que ele chegue ainda mais longe – já que, lá no fundo, nosso grande pavor é que ele vá embora de vez.

Essas táticas podem até funcionar nas primeiras tentativas. Porém, quando o ciúme passa a ser a companhia frequente do casal, a relação se complica. “O ciúme excessivo é capaz de transformar a vida dos dois num inferno. Sem que eles percebam, o sentimento vai tirando o brilho do romance e, em vez de namorar, de se divertirem juntos, eles usam todo o tempo para as cobranças, as queixas, as brigas. Assim, não há amor ou paixão que resista!”, alerta a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

É justamente na tentativa de evitar que o garoto se interesse por outras meninas que, sem querer, deixamos a relação ainda mais vulnerável para que isso aconteça. Afinal de contas, ninguém suporta passar muito tempo ao lado de uma companhia desagradável, não é mesmo? E é esse o tipo de pessoa que nos tornamos, ao exagerar no ciúme.

Viva o meio termo!

Agora, se não dá para bancar a general e grudar no pé do fofo – ou armar barraco atrás de barraco para tirar suas dúvidas a limpo -, também não vale engolir a raiva sempre que o menino dá uma bola fora. Então, quando ele realmente der motivos, você tem todo o direito de manifestar a sua raiva. Aliás, é até bom que faça isso, afinal de contas, um mínimo de respeito é fundamental para a relação decolar. E isso implica em estabelecer alguns limites claros entre o tipo de atitude que você tolera e o que não está a fim de aturar. O grande segredo é evitar gritarias, humilhações, choradeiras e afins. Se tiver que dizer algo ao garoto, chame-o para um papo quando estiver mais calma, e seja sincera: conte porque ficou chateada e diga que não gostaria que aquela situação se repetisse. “É comum que a gente resista um pouco antes de falar, que tente fazer joguinhos para chamar a atenção do garoto, como tentar provocar ciúme nele também. Porém, esses comportamentos são bastante arriscados, levam a muito desencontro, sofrimento e tempo perdido. O melhor mesmo é se colocar abertamente, isso facilita o encontro e fortalece a relação”, diz a psicóloga e psicanalista Léa Michaan.

Sai pra lá, uruca!

Se você anda protagonizando ceninhas de ciúme com o pretê dia sim, outro também, o melhor é parar pra rever seus conceitos já, antes que seja tarde. “O primeiro passo é entender que o ciúme não tem nada a ver com amar ou gostar, mas com uma dificuldade em se aceitar. Se estou sentindo muito ciúme do outro, tenho que me perguntar: como está a minha autoestima? Estou me valorizando? Conheço minhas qualidades? É a partir do amor por mim mesma que começo a trabalhar o amor pelo outro, para amar mais e melhor”, ensina Maura.

Outra dica importante para afastar de vez esse sentimento intruso é tentar redirecionar sua atenção, que normalmente está 100% focada no namoro ou ficada. É simples: em vez de passar a tarde toda fuçando o perfil do menino no Orkut, atrás de recadinhos ou depoimentos que possam denunciar algum deslize do gato, que tal pegar um cineminha com as suas amigas? Da mesma forma, durante o futebol dele (para não ligar 350 vezes e perguntar a que horas vão se encontrar), invista num bom tratamento de beleza, em casa. Assim, você vai ficar ainda mais bonita e conseguirá impressioná-lo quando o garoto finalmente chegar. “Encontrar possibilidades de prazer além do namoro é um caminho para fugir do ciúme. Quando a garota centra todas as energias no outro, acaba por sufocá-lo. Além disso, o romance pressupõe um certo risco, um mistério. Se ela gasta todo o tempo correndo atrás do menino, ele passa a se sentir muito confiante e a relação fica sem graça, a menina perde todo o seu valor”, explica a psicóloga Léa Michaan, que é especialista em adolescentes.

 

Quando o ciumento é ele
Tão difícil quanto morrer de ciúmes do menino de quem você está a fim, é levar, na boa, o namoro com um exemplar do tipo “olhou-prolado- o-bicho-pega”. É o garoto que normalmente começa encrencando com o seu melhor amigo e que, num piscar de olhos, acaba achando que toda a sua turma é uma ameaça ao namoro. Da mesma forma, insiste que você não use determinada minissaia e, em dois tempos, está transformando todo o seu armário. Lidar com um menino desses exige paciência e muita firmeza, justamente para acabar o quanto antes com os desmandos dele. “No começo, qualquer menina se envaidece com um namorado desses e até dá corda. Mas, com o tempo, percebe que caiu numa armadilha, pois o ciúme costuma evoluir até tornar a relação insustentável. Então, logo nas primeiras crises, é importante colocar limites.

Nas primeiras crises, é importante colocar limites, devolvendo a responsabilidade ao garoto, pois ele sim é que precisa de tratamento

A pior alternativa é abrir mão para fazer as vontades do outro, pois a tendência é que ele exija cada vez mais”, avisa Maura. Uma conversa franca, nessas horas, também funciona. “Avise desde o começo que, se ele continuar agindo assim, a relação não terá futuro. É uma forma eficiente de trazê-lo à realidade, de fazê-lo repensar suas atitudes. Diga também que, se está com ele, é porque há sentimento envolvido. Portanto, não há motivos para insegurança. Agora, se o menino insistir, o jeito é se afastar aos poucos, pois o ciúme acaba com o afeto, é apenas uma questão de tempo”, complementa Léa Michaan.

 

Invista

Atitudes que ajudam a controlar o ciúme e preservam a relação:

* Admitir que está se sentindo desconfortável com a situação, e conversar com o garoto a respeito, quantas vezes achar necessário.

* Falar com amigos ou familiares sobre as suas encanações, para ver até que ponto a sua insegurança em relação ao menino tem razão de ser. Uma opinião imparcial pode ajudar a separar as suas fantasias (o que a sua cabeça cria) da realidade (o que os fatos realmente comprovam).

* Tentar se colocar no lugar do outro, para ver como você teria reagido naquela mesma situação.

* Manter uma vida paralela à do namorado, por mais que tenha prazer em ficar ao lado dele. Isso significa continuar frequentando as festas da família e dos amigos, investindo nos estudos, praticando esportes, cultivando um hobbie. Assim, você se tornará uma companhia muito mais interessante, e nem vai se lembrar de “ficar no pé” do gato.

* Respeitar os sentimentos e as diferenças do menino em relação a você.

* Ao perceber que não consegue controlar suas emoções, procurar a ajuda de uma psicoterapeuta.

* Acreditar, de verdade, que a sua felicidade não está nas mãos do outro e que ela só depende de você.

Desista

Comportamentos que podem colocar o namoro ou a ficada em risco:

* Armar um bico daqueles ou partir pra ignorância sempre que se sentir intimidada por alguma atitude do menino. Esses confrontos só servem para desgastar a relação.

* Guardar suas encanações só pra você, acreditando que vai superar tudo sozinha. É assim que se alimenta o monstrinho do ciúme, deixando que ele ganhe cada vez mais espaço na sua vida. Ao expor às pessoas em quem você confia os seus medos e dúvidas, vai ficar mais fácil avaliar a sua situação de um jeito realista, descobrindo meios de superar os desafios que o relacionamento está impondo.

* Tentar mudar o menino é pura perda de tempo: o relacionamento dele com os amigos – e amigas! -, as coisas que ele gosta de fazer, os hábitos que costuma ter no dia-a-dia dificilmente serão deixados para trás. Se você realmente está a fim do garoto, o primeiro passo é respeitá-lo, assim como gostaria de ser respeitada. O que não significa aceitar tudo, claro. De qualquer forma, não é porque o menino faz questão de sair só com os amigos que está traindo você. Da mesma forma, se ele tem vááárias amigas, não é justo exigir que se afaste delas. Pense nisso!

* Evitar joguinhos e vinganças, quando estiver se sentindo magoada, é uma boa pedida. Primeiro porque, na hora da raiva, a possibilidade de fazer uma besteira – e se arrepender depois – é imensa. Depois, porque esse é o tipo de tática arriscada, que também pode por tudo a perder. Não vale a pena!

 

17 de Agosto de 2009 Posted by | relacionamento humano | 1 Comentário

Como lidar com pessoas insuportáveis

Isto É – 9/4/2009
Edição n° 2056

Dicas de psicólogos para conviver com gente capaz de fazer qualquer um perder a cabeça

Verônica Mambrini Ilustrações Fernando Brum

MIMADOS
Como identificar: são narcisistas, teatrais, dependentes e superficiais. Conseguem o que querem explorando sentimentos como pena e culpa
O que podem causar: sugam o tempo da vítima, provocam desgaste emocional e até prejuízos financeiros O que fazer: imponha limites e não se perturbe com as lamentações

 

Algumas pessoas parecem ter o dom de enlouquecer os outros. Em menor ou maior grau, são capazes de tornar a convivência difícil, até insuportável. Pode ser o chefe autoritário que controla cada passo do funcionário, o amigo que não perde uma chance de reclamar da vida ou o parente que aparece para uma visita e consegue destruir móveis e bibelôs. O fato é que tipos como esses são mais comuns do que se supõe. Mas a forma como as pessoas reagem a eles não. Há quem consiga se defender. Há quem recorra à terapia para superar os traumas do convívio. Com a bagagem dos casos colecionados em consultório, especialistas ensinam a lidar com esses “indivíduos-problema”.

O psicólogo americano Paul Hauck é um exemplo. Há quatro décadas ele estuda os comportamentos neuróticos. Em maio, lança o livro Como lidar com pessoas que te deixam louco. Nele, o terapeuta com mais de 15 obras publicadas decifrou cinco “personalidades” capazes de fazer alguém perder a razão – os controladores, os fracassados, os mimados, os bullies e os desleixados/maníacos por limpeza (leia quadros). “Quando você não constrange quem age de forma irritante e perturbadora, está tolerando esse comportamento”, disse Hauck à ISTOÉ. “Nós só somos tratados do jeito que permitimos.” Segundo o psicólogo, muitas vezes, quem o procura no consultório é a pessoa errada – ou seja, a vítima. “Vários que estão aqui vêm porque os que realmente deveriam estar não aceitam tratamento”, confirma a terapeuta de casais Ana Maria Fonseca Zampieri, de São Paulo.

Os grupos mais perigosos são os bullies e os controladores. “Eles podem recorrer à força física e não se importam com as consequências”, analisa Hauck. “Evite-os a todo custo, a não ser que você seja forte o suficiente para se defender.” A dor aumenta e as consequências psicológicas agravam se o agressor é alguém muito próximo. Foi o que aconteceu com a carioca Luiza Leme. Seu ex -marido a vigiava constantemente. Lia e-mails, mexia em objetos pessoais, violava sua privacidade. “Eu queria dar uma de boa samaritana”, reconhece. “Hoje, sei que limite é saudável”, diz Luiza, que só melhorou quando decidiu terminar o relacionamento.

O bully, valentão que intimida os colegas de escola, tem seu paralelo entre adultos. A designer paulistana Cris Rocha, 30 anos, passou maus bocados nas mãos de um. Ela assumiu algumas contas de um amigo em dificuldades financeiras, como a internet banda larga do rapaz, pois os dois tinham criado um site em conjunto. “Mas ele se tornou grosseiro e começou a fazer cobranças e acusações”, lembra Cris. Depois de dois anos de agressões verbais, a designer criou coragem para se afastar. “A forma de argumentar dele fazia eu me sentir muito mal”, lembra. “Só com ajuda de amigas percebi que o errado era ele.” É importante identificar se as acusações têm fundamento. “Não deixe que os bullies o convençam de que você está sempre errado ou que é um idiota”, aconselha Hauck.

Fracassados, mimados e maníacos por limpeza (ou bagunça, no extremo oposto) causam menos danos, mas nem por isso devem ser ignorados. “Pequenos traumas podem se tornar crônicos”, afirma a terapeuta Ana Maria. A professora de inglês Andréa Oliveira, 25 anos, cometeu outro erro comum: deu brechas demais a um mimado. “Eu me proponho a ajudar os amigos, mas eles abusam”, reconhece. Depois de reconciliar um casal de conhecidos, eles passaram a convocá- la a cada desentendimento, até que ela se recusou a intermediar. “Por causa disso, minha amiga ficou um mês sem falar comigo”, diz. Essa é a estratégia dos mimados: esperneiam, batem o pé, fazem bico. A recomendação da psicanalista Léa Michaan, da Universidade de São Paulo (USP), é deixar claro que ninguém tem obrigação de fazer favores. “Dizer o que pensa, mesmo que seja num tom de brincadeira, é fundamental”, afirma.

Verônica Mambrini Ilustrações Fernando Brum

 

 

Quem convive com pessoas problemáticas também corre o risco de se deixar contagiar, especialmente pelos fracassados, que sabotam a própria felicidade. A estudante paulista Fernanda Espinosa, 25 anos, terminou um noivado depois de sofrer muito ao lado de um. “Com a convivência, percebi que ele era uma pessoa negativa”, conta. O ex-noivo passava os fins de semana dormindo ou vendo tevê, e arrastava a moça com ele. “Vivia cheia de olheiras, de tanto dormir. Estava muito mal”, afirma a estudante. Uma categoria à parte é a dos muito bagunceiros ou pessoas com mania de limpeza, que não são comportamentos ruins por si só, mas podem tornar a convivência irritante. O publicitário paulista Leandro Monteiro, 37 anos, teve de tolerar durante anos os hábitos da mãe. “Hoje em dia acho o máximo poder fazer gestos corriqueiros como atender o telefone ou abrir a geladeira sem ter de lavar as mãos antes!”, explica Leandro, que, casado há quatro anos, pode fazer a bagunça que tiver vontade.

Em muitos casos, é possível tentar a convivência com essa turma de personalidade difícil. “Pois sem conflito não há mudança”, afirma a consultora de carreira Maria da Luz Calegari. Há várias táticas para aprender a lidar com eles e, principalmente, para se fazer respeitar. Se ainda assim elas falharem, é melhor evitálos. Quando não for possível riscá-los da lista de contatos, como no caso de um chefe tirano, por exemplo, o segredo é abstrair. “É preciso não dar tanta importância aos ataques”, diz Léa Michaan. Afinal, ninguém está totalmente imune a deslizes. Nem a pessoas insuportáveis.

 

22 de Abril de 2009 Posted by | relacionamento humano | 125 comentários