Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Filhos na casa da avó – solução ou cilada?

 Ela aceitou o desafio de conciliar a maternidade sem abrir mão da carreira. Tem duas filhas, uma de dez e outra de dois anos. Trabalha em tempo integral e, por mais que tenha vontade de ter suas princesinhas por perto, sabe que não é assim que as coisas funcionam.

Daniela Liberato é coordenadora financeira e mãe em tempo integral. Não vê dificuldades em lidar com problemas da economia. No entanto, encontrar uma pessoa que cuide da filha menor, quando não está na escolinha, tem sido uma tarefa das mais árduas.

Há um ano, Daniela encontrou como solução deixar a pequena com sua mãe. Assim não tem que se preocupar se ela está sendo bem tratada, comendo direito ou recebendo carinho. Daniela não é a única a precisar desse apoio para cuidar dos filhos. E como outras mães, têm medo de que a filha ache mais legal a casa da avó do que a própria casa ou seja educada de um jeito que não concorda. Será que essa é a melhor saída?

“A princípio, não há problema em deixar os filhos com a avó. Conheço muitas mães que preferem deixar os filhos com a avó ao invés de deixá-los em creches ou em mãos de desconhecidos”, explica a psicanalista Léa Michaan. E considera muito enriquecedor o convívio entre gerações, onde os filhos aprendem sobre histórias de vida e tradições da família.

Para Daniela, a filha tem liberdade demais na casa da avó. “Ela tem mudanças comportamentais quando está lá. Sente que pode mais na casa da avó”, afirma. “Tanto aqui como na casa da minha mãe, minha filha brinca com canetinhas em que a tinta pode ser removida. Na minha casa, ela brinca apenas no papel. Lá, pode colorir o sofá, móveis e as paredes. Minha mãe não se importa se ela pinta os móveis, mas não quero que minha caçula aja dessa maneira”.

Para que esse tipo de problema não aconteça, a psicanalista indica que a mãe se posicione e diga que está em desacordo com o jeito de educar da avó, por exemplo. Em seguida, deve ter uma boa conversa com avó e o filho para que todos saibam o que a mãe pensa. “É importante que os filhos vejam que os mimos ficam por parte dos avós.”

Léa alerta, no entanto, que a partir dos três ou quatro anos a criança precisa se relacionar com colegas de sua idade e frequentar outros ambientes. “Ela precisa começar a aprender a dividir os brinquedos, o espaço e a atenção. Enquanto estiver entre adultos, ela é majestade única e isso não deve ser prolongado”.

Ter a participação da avó na criação dos netos pode ser excelente se administrada da maneira correta. É só saber dosar!

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22 de Abril de 2009 Posted by | seus filhos | Deixe um comentário

Ele tem medo de quê?

Tarde da noite, entre um sonho e outro, você é surpreendido por seu filho dizendo que há um monstro debaixo da cama dele. Com sono e sem paciência para muita discussão, você leva a criança para a sua cama sem, no entanto, abandonar as dúvidas quanto à imaginação infantil.
Se você tem mais de um filho, deve ter reparado que cada um deles tem medos diferentes. O mesmo estímulo pode ser ameaçador para uma criança, mas indiferente para outra. Além de variar de uma criança para outra, o sentimento também tem a ver com a faixa etária e com as experiências que seu filho vive. Uma criança de três anos, por exemplo, pode ficar amedrontada ao ter de entrar sozinha numa classe cheia de crianças que não conhece. No entanto, poderá sentir-se à vontade se estiver acompanhada de sua mãe, exemplifica a psicóloga. A aprendizagem também é um fator decisivo. Diante de uma situação temerosa, uma criança aprende a evitar algo que, anteriormente não a incomodava, mas passou a incomodar. Um bom exemplo é uma criança mordida por um cachorro: ela passa a temer o cachorro ou, em casos gerais, ela passa a ter medo de todos os cachorros.
A psicóloga dá dicas aos pais para evitar que o medo apareça no dia-a-dia dos pequeninos

Do nascimento aos 18 meses, os bebês têm medo de objetos reais, situações ou pessoas estranhas, ruídos inesperados, luzes fortes e quedas , explica Léa Michaan, psicóloga graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP). Já dos 18 aos 36 meses, eles podem temer a escuridão e atividades como nadar ou tomar banho. A partir dos 3 anos, as crianças tornam-se vítimas da própria imaginação. É uma fase em que elas entenderam que existem ameaças, mas ainda há dificuldade para reconhecer os perigos, daí o medo de monstros e fantasmas. 

Mas não precisa ficar incomodado. O medo é normal e precisa ser entendido como elemento biológico de defesa, é uma maneira que a criança tem de mostrar aos outros quando se sente aflita e pedir ajuda para melhorar a situação, explica a especialista. Abaixo, ela dá dicas para você lidar com as queixas mais comuns entre os pequenos cheios de imaginação.

Homem do saco, bicho-papão, lobo mau, bruxas e monstros. São invenções da imaginação popular utilizados para ilustrar os grandes medos infantis. O homem do saco, por exemplo, é a personificação da possibilidade de deixar os pais e ser levado por um estranho. Tem até o potencial educativo, lembrando que é preciso tomar cuidado quando não há um adulto de confiança por perto.

Palhaços. Muitas crianças os temem e, quando vão ao circo, se escondem na barra da saia da mãe ao vê-lo. O personagem pode parecer um ser estranho para a criança, que se vê diante de uma coisa anormal, com o rosto pintado, roupas espalhafatosas e atitudes diferentes da que ela costuma vivenciar, explica Léa Michaan. É uma oportunidade para os pais falarem sobre a diferença com as crianças.

Escuro. Não há luz o suficiente para determinar tudo o que há no ambiente. É o momento em que a imaginação da criança está livre para criar seus medos e, por esse motivo, elas o temem.

A medida do medo

A importância dos pais
Ao lidar com os medos, os pais não podem pensar em acabar com todos os temores, mas também mostrar para a criança quais situações ela realmente deve temer, ajudando na compreensão dos perigos. Essa tática desenvolve gradativamente a confiança da criança em sua capacidade de enfrentar circunstâncias temidas. Não podemos esquecer que medos são ferramentas fundamentais para evitar o perigo, explica a psicóloga. Os medos não devem ser utilizados como artifícios para refrear a criança, como se utilizam deles alguns pais, babás ou parentes. Esse tipo de comportamento forma pessoas inseguras e que terão dificuldades que podem prosseguir até a vida adulta, afetando até o convívio social.

Auxilie seu filho

Fale somente o necessário: Se no passado era comum ignorar os medos da criança, hoje uma falha comum entre os pais é dar demasiada atenção a eles. Como regra geral, quanto menor for a criança menos os pais devem falar. Seria o caso de lidar com sua própria ansiedade sem dar grandes explicações.

Não minta: Se a criança vai ao médico, não diga que ela vai ao parque. Porém, prepará-la alguns dias antes aumentará sua ansiedade. É suficiente falar do assunto antes de expor a criança à situação.

Distraia sua atenção com algo agradável: Conte algo alegre e interessante, faça brincadeiras e converse sobre o que ela deseja para o jantar. Ajude a fortalecer o seu filho: Dimensione o tamanho do medo e mostre a ele os recursos que possui para enfrentá-lo. Diga-lhe, por exemplo: Aquele cachorro era bravo, este não é. Olhe como eu faço carinho, você também pode experimentar.

22 de Abril de 2009 Posted by | seus filhos | Deixe um comentário