Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Mulheres também são infiéis

Um chavão insiste em que o sexo masculino trai mais do que o feminino. Não é o que mostra esta reportagem: sob a condição de anonimato, a maioria das entrevistadas revela que a libido está ganhando de valores como segurança e fidelidade

Melissa Diniz

Tudo começa com um olhar sedutor e uma gentileza gratuita, como segurar a porta do elevador para você entrar. Em seguida, vem um elogio. Pode ser sutil, quase inocente. Ou desconcertante. Seja como for, uma boa cantada melhora o astral de qualquer mulher, inclusive das comprometidas. Algumas disfarçam, fingem que nada aconteceu. Outras aproveitam a deixa para viver uma tórrida aventura sexual. “Sentir atração por outro homem, mesmo tendo parceiro, é totalmente natural. A paquera é muito saudável para circular a libido e erotizar a vida. Se, a partir daí, vai acontecer alguma coisa e se isso implicará conflito, depende da mulher e do acordo entre os parceiros”, afirma Vera Furia, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP e autora do livro Mulher, Arquivo Confidencial (Ed. Arx).

Na opinião de Vera, sentir-se desejada ou atraída por outro pode apimentar a vida a dois. “Ninguém consegue ficar apaixonado para sempre. O flerte pode trazer de volta o encanto e enriquecer a relação”, diz.

Tesão e carência

Para a psicanalista e terapeuta de casais Léa Michaan, pós-graduada em psicoterapia psicanalítica pela USP, além de excitante, a paquera funciona como válvula de escape para aliviar tensões. “Devido à carga moral presente em nossa cultura, é comum as mulheres se culparem ao sentir atração por outro que não seja o companheiro oficial, mas trocar olhares não faz mal a ninguém. Pode até consistir numa fonte de energia extra”, afirma.

O problema é transferir para o flerte a carência afetiva, passando a buscar em outros homens o que queria receber do marido ou namorado. “Mulheres que usam a paquera de forma compulsiva para satisfazer sua insegurança emocional ficam cada vez mais insatisfeitas e acabam se machucando”, alerta Vera Furia.

Como saber, então, quando vale a pena se entregar completamente ou frear os impulsos? Não há manual para isso, mas refletir ajuda. “Ponha na balança seu desejo, as regras da sua relação, os riscos que corre e como lidará com eventuais sentimentos de culpa. Não é a atração que faz alguém ser irresponsável, e sim agir sem pensar nas consequências”, diz Vera.

Léa Michaan concorda que só a escolha consciente vale a pena. Assim, a mulher não se arrepende por ter recuado – e deixado escapar aquele homem imperdível – nem se corrói de culpa por ter experimentado uma paixão fugaz. “Tente descobrir o que a faz feliz, seja como for. O pior é querer dar uma de liberal ou de puritana quando na realidade não é”, aconselha.

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28 de Julho de 2009 Posted by | sexo | 1 Comentário

Sexo e Comportamento

            Cada pessoa apresenta uma relação única e muito particular com a questão sexual. Uns o adoram e vislumbram a possibilidade sexual em todas as situações, outros detestam, porque vêem o sexo como uma prática incivilizada ou selvagem. E entre estes e àqueles, existem várias nuances de possibilidades de se relacionar com o sexo, e, portanto com o parceiro, neste quesito.

            Em um pólo extremo deste prisma das várias nuances de possibilidades de encarar a questão sexual, temos algumas pessoas, na maioria homens, que entendem o sexo como um exercício de prazer. Estes podem manter relações sexuais com o mesmo intuito com que se deliciam tomando um sorvete, ou com que jogam uma partida de futebol. Para estas pessoas o sexo é um tipo de entretenimento que tem começo, meio e fim – análogo a assistir um filme. No final, estes até categorizam: pode ter sido bom, excelente, médio, “deu para o gasto”, pior impossível, etc. Estas pessoas não sentem necessidade de um vínculo afetivo ou de uma continuidade para se relacionaram sexualmente – Isto não quer dizer que elas não possam desenvolver laços afetivos e manter os vínculos, como namorar e casar, por exemplo, claro que sim, mas o sexo em si terá para elas uma conotação de entretenimento, por isso mesmo, para estas pessoas, o fato de manter relações sexuais fora do casamento não é percebido como traição – Eles amam de verdade a esposa, e “só” praticaram o esporte sexual com uma parceira diferente, a qual, após a “partida sexual”, esta pessoa nada mais significará para eles.

            No outro pólo, oposto ao deste acima citado, existem aqueles, na maioria mulheres, que encaram o sexo como o ápice da intimidade entre duas pessoas. Para estas pessoas a relação sexual vai muito além da prática em si. Elas compreendem o sexo como uma “entrega” que representa uma prova de amor. São pessoas que apresentam várias restrições ao sexo, uma vez que ele está tão misturado a profundos sentimentos e vínculos afetivos, estes denotam maior dificuldade em se relacionar sexualmente, ficam impedidos por qualquer adversidade: se não estão no clima, se tem uma mínima dor ou desconforto, se não estão as mil maravilhas com o parceiro, se estão preocupados com as contas, com a empregada, com os filhos, com isto ou aquilo, já se tornam impossibilitadas de se relacionar sexualmente. 

            Neste leque de possibilidades de encarar o sexo, ainda existem dois outros pólos distintos: de um lado, aqueles que adoram praticá-lo, pois possuem facilidade de extrair prazer do ato sexual, e do lado contrário, àqueles que o detestam, pois a prática sexual lhes parece um ato primitivo.

Além das tendências particulares que cada indivíduo apresenta quanto à questão sexual, o ser humano também está à mercê da instabilidade, do humor, de acontecimentos prévios do seu mundo interno e externo – e tudo isto influenciará a questão sexual.

Portanto, meu caro leitor, saber que as pessoas são diferentes e desenvolver a capacidade de lidar com estas diferenças é uma arte extremamente útil para se atingir uma vida sexualmente satisfatória e para além do sexo – Feliz.

 

Léa Michaan – Psicóloga e Psicanalista CRP: 06/78668

E-mail: leamichaan@uol.com.br

Blogs: http://leamichaan.wordpress.com/

         

https://psicologaresponde.wordpress.com/

13 de Maio de 2009 Posted by | sexo | 2 comentários