Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Quero mudar e não consigo!

Caros leitores, compartilho uma entrevista onde dou dicas em como podemos mudar alguns vícios e atitudes prejudiciais para nós e porque é tão dificil esta transformação.

Que a leitura seja útil e prazerosa!

Porque mudar os hábitos e abandonar velhos vícios é tão difícil?

Cada um de nós encontra a própria maneira de ser e de viver que é a forma que nos foi possível para compensar, encobrir, conviver ou driblar nossas faltas, excessos, intrusões, carências, traumas, frustrações, superproteções, negligencias, privações, exigências, mimos ou sofrimentos desde que somos concebidos, no útero, ou até mesmo muito antes nos ideais de nossos pais. Este jeito peculiar de cada ser humano pode parecer aos olhos dos outros, e até de nós mesmos, uma forma às vezes incoerente, ou com vícios e até improdutiva, mas foi desse jeito que conseguimos nos equilibrar na vida apesar dos pesares. Esta forma as vezes cheia de vícios, improdutiva ou incoerente pode ter sido herdada da pessoa que foi nossa referencia no início da vida: mãe, cuidadores ou ambiente, mas, mais do que tudo é a maneira que encontramos pra sobreviver, é o que nos salvou do caos. Por exemplo, se somos compradores ou comedores compulsivos, pode ser a maneira que encontramos para tampar a carência que se formou dentro de nós e por isso sentimos necessidade de agregar objetos ou comida, como uma forma de “tapar o buraco”. O nosso excesso de tecido adiposo, ou o excesso de objetos que consumimos vorazmente é uma demonstração de que algo não vai bem é um pedido de socorro, e até uma esperança de sermos ajudados. Temos dificuldades em deixar a maneira viciante e improdutiva de ser porque de alguma maneira isto que nos faz mal, foi o que tínhamos para nos agarrar, foi nossa tábua de salvação e temos muito medo de deixa-la. E também, porque não nos conhecemos o suficiente para encontrarmos exatamente aquilo que vai nos preencher e realizar. Por isso é tão difícil largar antigos hábitos e vícios. Pode ser: cigarro, comida, mania de consumo, necessidade excessiva de namorar, enciumar, controlar, e por aí vai.    

É comum mulheres criarem empecilhos que atrapalhem nestas mudanças?

Sim, sentimos muito medo de mudar, porque temos medo do desconhecido e estes empecilhos são nossas resistências. Tanto homens quanto mulheres podem ter dificuldade em mudar. Talvez a herança cultural transformou a mulher num ser, as vezes mais dependente, então sente mais dificuldade em mudar porque não se responsabiliza por suas ações. Mas esta colocação pode ser questionável.

Porque esta autossabotagem pode acontecer?

Autossabotagem é realizar um dano a si mesmo impedindo que as coisas deem certo. Fazemos isto por várias razões, uma delas é porque queremos ser vítimas nessa vida, ou seja, criamos uma teoria sobre nós mesmos de que somos vítimas e inconscientemente trabalhamos no sentido que a nossa teoria sobre nós mesmos tenha êxito. Se deixarmos de ser vítimas, inconscientemente, corremos o risco de não sermos nada, ou sermos vilões. Outra possibilidade é o masoquismo.

É muito difícil notar esta atitude negativa?

Sim, como disse o grande filósofo francês Jean Paul Sartre: “O inferno são os outros”. Além disso, as pessoas não se responsabilizam pelas próprias ações. Sempre costumam procurar culpados nem que seja o destino. Quando começamos a nos responsabilizar pela nossa vida, ela melhora. Mas a primeira dificuldade é nos percebermos, e a segunda dificuldade é mudar.

Como podemos enxergar esta autossabotagem?

Responsabilizando-nos por nossos atos; pensando de forma útil e produtiva antes de agir; ou, fazendo uma boa análise com profissional.

Como podemos não cometer estes erros?

Isto é impossível, o ser humano é falível, ninguém tem bola de cristal para ver o futuro. Mas, o que pode ser feito para minimizar os erros é: entender que é errando que se aprende e aprender com a experiência. E mais do que tudo: desenvolvendo nosso aparelho para pensar.

Créditos: Léa Michaan – Psicanalista

Pós graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela USP

Mestre em Psicologia Clinica pela PUC

Autora do livro Maly – Superação em forma de ficção

27 de Junho de 2012 Posted by | quero mudar | 6 comentários