Psicóloga Responde

Dicas úteis para o dia-dia

Como lidar com pessoas insuportáveis

Isto É – 9/4/2009
Edição n° 2056

Dicas de psicólogos para conviver com gente capaz de fazer qualquer um perder a cabeça

Verônica Mambrini Ilustrações Fernando Brum

MIMADOS
Como identificar: são narcisistas, teatrais, dependentes e superficiais. Conseguem o que querem explorando sentimentos como pena e culpa
O que podem causar: sugam o tempo da vítima, provocam desgaste emocional e até prejuízos financeiros O que fazer: imponha limites e não se perturbe com as lamentações

 

Algumas pessoas parecem ter o dom de enlouquecer os outros. Em menor ou maior grau, são capazes de tornar a convivência difícil, até insuportável. Pode ser o chefe autoritário que controla cada passo do funcionário, o amigo que não perde uma chance de reclamar da vida ou o parente que aparece para uma visita e consegue destruir móveis e bibelôs. O fato é que tipos como esses são mais comuns do que se supõe. Mas a forma como as pessoas reagem a eles não. Há quem consiga se defender. Há quem recorra à terapia para superar os traumas do convívio. Com a bagagem dos casos colecionados em consultório, especialistas ensinam a lidar com esses “indivíduos-problema”.

O psicólogo americano Paul Hauck é um exemplo. Há quatro décadas ele estuda os comportamentos neuróticos. Em maio, lança o livro Como lidar com pessoas que te deixam louco. Nele, o terapeuta com mais de 15 obras publicadas decifrou cinco “personalidades” capazes de fazer alguém perder a razão – os controladores, os fracassados, os mimados, os bullies e os desleixados/maníacos por limpeza (leia quadros). “Quando você não constrange quem age de forma irritante e perturbadora, está tolerando esse comportamento”, disse Hauck à ISTOÉ. “Nós só somos tratados do jeito que permitimos.” Segundo o psicólogo, muitas vezes, quem o procura no consultório é a pessoa errada – ou seja, a vítima. “Vários que estão aqui vêm porque os que realmente deveriam estar não aceitam tratamento”, confirma a terapeuta de casais Ana Maria Fonseca Zampieri, de São Paulo.

Os grupos mais perigosos são os bullies e os controladores. “Eles podem recorrer à força física e não se importam com as consequências”, analisa Hauck. “Evite-os a todo custo, a não ser que você seja forte o suficiente para se defender.” A dor aumenta e as consequências psicológicas agravam se o agressor é alguém muito próximo. Foi o que aconteceu com a carioca Luiza Leme. Seu ex -marido a vigiava constantemente. Lia e-mails, mexia em objetos pessoais, violava sua privacidade. “Eu queria dar uma de boa samaritana”, reconhece. “Hoje, sei que limite é saudável”, diz Luiza, que só melhorou quando decidiu terminar o relacionamento.

O bully, valentão que intimida os colegas de escola, tem seu paralelo entre adultos. A designer paulistana Cris Rocha, 30 anos, passou maus bocados nas mãos de um. Ela assumiu algumas contas de um amigo em dificuldades financeiras, como a internet banda larga do rapaz, pois os dois tinham criado um site em conjunto. “Mas ele se tornou grosseiro e começou a fazer cobranças e acusações”, lembra Cris. Depois de dois anos de agressões verbais, a designer criou coragem para se afastar. “A forma de argumentar dele fazia eu me sentir muito mal”, lembra. “Só com ajuda de amigas percebi que o errado era ele.” É importante identificar se as acusações têm fundamento. “Não deixe que os bullies o convençam de que você está sempre errado ou que é um idiota”, aconselha Hauck.

Fracassados, mimados e maníacos por limpeza (ou bagunça, no extremo oposto) causam menos danos, mas nem por isso devem ser ignorados. “Pequenos traumas podem se tornar crônicos”, afirma a terapeuta Ana Maria. A professora de inglês Andréa Oliveira, 25 anos, cometeu outro erro comum: deu brechas demais a um mimado. “Eu me proponho a ajudar os amigos, mas eles abusam”, reconhece. Depois de reconciliar um casal de conhecidos, eles passaram a convocá- la a cada desentendimento, até que ela se recusou a intermediar. “Por causa disso, minha amiga ficou um mês sem falar comigo”, diz. Essa é a estratégia dos mimados: esperneiam, batem o pé, fazem bico. A recomendação da psicanalista Léa Michaan, da Universidade de São Paulo (USP), é deixar claro que ninguém tem obrigação de fazer favores. “Dizer o que pensa, mesmo que seja num tom de brincadeira, é fundamental”, afirma.

Verônica Mambrini Ilustrações Fernando Brum

 

 

Quem convive com pessoas problemáticas também corre o risco de se deixar contagiar, especialmente pelos fracassados, que sabotam a própria felicidade. A estudante paulista Fernanda Espinosa, 25 anos, terminou um noivado depois de sofrer muito ao lado de um. “Com a convivência, percebi que ele era uma pessoa negativa”, conta. O ex-noivo passava os fins de semana dormindo ou vendo tevê, e arrastava a moça com ele. “Vivia cheia de olheiras, de tanto dormir. Estava muito mal”, afirma a estudante. Uma categoria à parte é a dos muito bagunceiros ou pessoas com mania de limpeza, que não são comportamentos ruins por si só, mas podem tornar a convivência irritante. O publicitário paulista Leandro Monteiro, 37 anos, teve de tolerar durante anos os hábitos da mãe. “Hoje em dia acho o máximo poder fazer gestos corriqueiros como atender o telefone ou abrir a geladeira sem ter de lavar as mãos antes!”, explica Leandro, que, casado há quatro anos, pode fazer a bagunça que tiver vontade.

Em muitos casos, é possível tentar a convivência com essa turma de personalidade difícil. “Pois sem conflito não há mudança”, afirma a consultora de carreira Maria da Luz Calegari. Há várias táticas para aprender a lidar com eles e, principalmente, para se fazer respeitar. Se ainda assim elas falharem, é melhor evitálos. Quando não for possível riscá-los da lista de contatos, como no caso de um chefe tirano, por exemplo, o segredo é abstrair. “É preciso não dar tanta importância aos ataques”, diz Léa Michaan. Afinal, ninguém está totalmente imune a deslizes. Nem a pessoas insuportáveis.

 

22 de Abril de 2009 Posted by | relacionamento humano | 117 comentários

Namoro longo, longuíssimo

Eles namoraram por mais de cinco anos – e o casamento passava longe dos planos. E nem era porque eles eram contra a vida a dois sob o mesmo teto. Ou porque se gostavam pouco. O fato é que manter o namoro era mais conveniente para os dois, sem que os planos de futuro juntos fossem sinônimos de mais felicidade.

Paula e Junior terminaram antes de saber se o casamento salvaria a relação. Preferiram desistir antes de insistir. Para Léa Michaan, psicóloga e terapeuta de casais, a história de Paula e Junior é reflexo da nova cara dos relacionamentos modernos: assumir virou complicação. “Compromisso com o parceiro pode acarretar prestação de contas. Além disso, assumir é escolher uma pessoa e abrir mão de todas as outras. É muito difícil porque significa renunciar a todas as outras possibilidades”.

Um pouco disso é reflexo da cultura. Se antigamente as mulheres não trabalhavam fora e tinham como objetivo de vida casar e formar família, hoje vivem a liberação sexual sem medo. “A vida moderna oferece outros interesses e objetivos além de formar uma família”, analisa Léa.

Um pouco também tem a ver com o papel do homem na relação. Muitos sentem o casamento como uma prisão que toma a liberdade de transitar entre várias. E questão financeira também interfere. “No universo consumista, as necessidades aumentaram e muitos casais optam em estender o namoro por mais tempo até fazerem seu pézinho de meia”.

Mas aí a relação acaba se desgastando, pela falta de um plano comum de futuro juntos. Se o casal possui um plano, sabem onde estão e caminham em direção ao objetivo de vida em comum. Neste caso, segundo Léa, a união tem propósito. “Caso contrário, há o desgaste da relação porque eles nem sabem para que estão juntos”.

Na medida em que o casal se conhece melhor, o ideal dá lugar ao real. E então, como acredita a psicóloga, há dois caminhos: se relacionar com a pessoa real e fazer o luto da imagem idealizada, vivendo então uma relação saudável e madura, ou não ser capaz de abrir mão da fantasia do parceiro ideal e, portanto passar por sucessivas frustrações que levam ao desgaste da relação. “Na realidade, as pessoas costumam oscilar entre estes dois estados, o que vai determinar a maior maturidade da relação será a capacidade da pessoa distinguir se está se relacionando com o parceiro real ou com a imagem que tem deste”.

Além disso tudo, há ainda o fascínio natural pela novidade. Nesse sentido, o tempo não só desfaz a novidade como também acarreta tanta familiaridade entre o casal que o amor apaixonado transforma-se em amor fraternal. E ninguém precisa se casar com um amigo, né?

Mas na hora de dar um passo à frente, em direção ao altar, quem será que pressiona mais? Homem ou mulher? Léa avalia que não é possível generalizar, mas é mais comum a mulher querer evoluir para o próximo passo. E isso se explica um pouco pela genética e outro pouco pela história. “Desde a idade das cavernas as mulheres cuidavam das crias e os homens da caça e dos territórios. Então, ela carrega no gene a tendência de casar e formar família, enquanto o homem a lutar pelo sustento. Além disso, o organismo feminino é formado para conceber – portanto ela mais predisposta a casar do que o homem”.

 

22 de Abril de 2009 Posted by | relacionamento afetivo | 58 comentários

Filhos na casa da avó – solução ou cilada?

 Ela aceitou o desafio de conciliar a maternidade sem abrir mão da carreira. Tem duas filhas, uma de dez e outra de dois anos. Trabalha em tempo integral e, por mais que tenha vontade de ter suas princesinhas por perto, sabe que não é assim que as coisas funcionam.

Daniela Liberato é coordenadora financeira e mãe em tempo integral. Não vê dificuldades em lidar com problemas da economia. No entanto, encontrar uma pessoa que cuide da filha menor, quando não está na escolinha, tem sido uma tarefa das mais árduas.

Há um ano, Daniela encontrou como solução deixar a pequena com sua mãe. Assim não tem que se preocupar se ela está sendo bem tratada, comendo direito ou recebendo carinho. Daniela não é a única a precisar desse apoio para cuidar dos filhos. E como outras mães, têm medo de que a filha ache mais legal a casa da avó do que a própria casa ou seja educada de um jeito que não concorda. Será que essa é a melhor saída?

“A princípio, não há problema em deixar os filhos com a avó. Conheço muitas mães que preferem deixar os filhos com a avó ao invés de deixá-los em creches ou em mãos de desconhecidos”, explica a psicanalista Léa Michaan. E considera muito enriquecedor o convívio entre gerações, onde os filhos aprendem sobre histórias de vida e tradições da família.

Para Daniela, a filha tem liberdade demais na casa da avó. “Ela tem mudanças comportamentais quando está lá. Sente que pode mais na casa da avó”, afirma. “Tanto aqui como na casa da minha mãe, minha filha brinca com canetinhas em que a tinta pode ser removida. Na minha casa, ela brinca apenas no papel. Lá, pode colorir o sofá, móveis e as paredes. Minha mãe não se importa se ela pinta os móveis, mas não quero que minha caçula aja dessa maneira”.

Para que esse tipo de problema não aconteça, a psicanalista indica que a mãe se posicione e diga que está em desacordo com o jeito de educar da avó, por exemplo. Em seguida, deve ter uma boa conversa com avó e o filho para que todos saibam o que a mãe pensa. “É importante que os filhos vejam que os mimos ficam por parte dos avós.”

Léa alerta, no entanto, que a partir dos três ou quatro anos a criança precisa se relacionar com colegas de sua idade e frequentar outros ambientes. “Ela precisa começar a aprender a dividir os brinquedos, o espaço e a atenção. Enquanto estiver entre adultos, ela é majestade única e isso não deve ser prolongado”.

Ter a participação da avó na criação dos netos pode ser excelente se administrada da maneira correta. É só saber dosar!

22 de Abril de 2009 Posted by | seus filhos | Deixe um comentário

Ele tem medo de quê?

Tarde da noite, entre um sonho e outro, você é surpreendido por seu filho dizendo que há um monstro debaixo da cama dele. Com sono e sem paciência para muita discussão, você leva a criança para a sua cama sem, no entanto, abandonar as dúvidas quanto à imaginação infantil.
Se você tem mais de um filho, deve ter reparado que cada um deles tem medos diferentes. O mesmo estímulo pode ser ameaçador para uma criança, mas indiferente para outra. Além de variar de uma criança para outra, o sentimento também tem a ver com a faixa etária e com as experiências que seu filho vive. Uma criança de três anos, por exemplo, pode ficar amedrontada ao ter de entrar sozinha numa classe cheia de crianças que não conhece. No entanto, poderá sentir-se à vontade se estiver acompanhada de sua mãe, exemplifica a psicóloga. A aprendizagem também é um fator decisivo. Diante de uma situação temerosa, uma criança aprende a evitar algo que, anteriormente não a incomodava, mas passou a incomodar. Um bom exemplo é uma criança mordida por um cachorro: ela passa a temer o cachorro ou, em casos gerais, ela passa a ter medo de todos os cachorros.
A psicóloga dá dicas aos pais para evitar que o medo apareça no dia-a-dia dos pequeninos

Do nascimento aos 18 meses, os bebês têm medo de objetos reais, situações ou pessoas estranhas, ruídos inesperados, luzes fortes e quedas , explica Léa Michaan, psicóloga graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP). Já dos 18 aos 36 meses, eles podem temer a escuridão e atividades como nadar ou tomar banho. A partir dos 3 anos, as crianças tornam-se vítimas da própria imaginação. É uma fase em que elas entenderam que existem ameaças, mas ainda há dificuldade para reconhecer os perigos, daí o medo de monstros e fantasmas. 

Mas não precisa ficar incomodado. O medo é normal e precisa ser entendido como elemento biológico de defesa, é uma maneira que a criança tem de mostrar aos outros quando se sente aflita e pedir ajuda para melhorar a situação, explica a especialista. Abaixo, ela dá dicas para você lidar com as queixas mais comuns entre os pequenos cheios de imaginação.

Homem do saco, bicho-papão, lobo mau, bruxas e monstros. São invenções da imaginação popular utilizados para ilustrar os grandes medos infantis. O homem do saco, por exemplo, é a personificação da possibilidade de deixar os pais e ser levado por um estranho. Tem até o potencial educativo, lembrando que é preciso tomar cuidado quando não há um adulto de confiança por perto.

Palhaços. Muitas crianças os temem e, quando vão ao circo, se escondem na barra da saia da mãe ao vê-lo. O personagem pode parecer um ser estranho para a criança, que se vê diante de uma coisa anormal, com o rosto pintado, roupas espalhafatosas e atitudes diferentes da que ela costuma vivenciar, explica Léa Michaan. É uma oportunidade para os pais falarem sobre a diferença com as crianças.

Escuro. Não há luz o suficiente para determinar tudo o que há no ambiente. É o momento em que a imaginação da criança está livre para criar seus medos e, por esse motivo, elas o temem.

A medida do medo

A importância dos pais
Ao lidar com os medos, os pais não podem pensar em acabar com todos os temores, mas também mostrar para a criança quais situações ela realmente deve temer, ajudando na compreensão dos perigos. Essa tática desenvolve gradativamente a confiança da criança em sua capacidade de enfrentar circunstâncias temidas. Não podemos esquecer que medos são ferramentas fundamentais para evitar o perigo, explica a psicóloga. Os medos não devem ser utilizados como artifícios para refrear a criança, como se utilizam deles alguns pais, babás ou parentes. Esse tipo de comportamento forma pessoas inseguras e que terão dificuldades que podem prosseguir até a vida adulta, afetando até o convívio social.

Auxilie seu filho

Fale somente o necessário: Se no passado era comum ignorar os medos da criança, hoje uma falha comum entre os pais é dar demasiada atenção a eles. Como regra geral, quanto menor for a criança menos os pais devem falar. Seria o caso de lidar com sua própria ansiedade sem dar grandes explicações.

Não minta: Se a criança vai ao médico, não diga que ela vai ao parque. Porém, prepará-la alguns dias antes aumentará sua ansiedade. É suficiente falar do assunto antes de expor a criança à situação.

Distraia sua atenção com algo agradável: Conte algo alegre e interessante, faça brincadeiras e converse sobre o que ela deseja para o jantar. Ajude a fortalecer o seu filho: Dimensione o tamanho do medo e mostre a ele os recursos que possui para enfrentá-lo. Diga-lhe, por exemplo: Aquele cachorro era bravo, este não é. Olhe como eu faço carinho, você também pode experimentar.

22 de Abril de 2009 Posted by | seus filhos | Deixe um comentário

Prazer em conhecer

Olá, Este é o blog de Léa Michaan,

Uma das pioneiras a atender via Skype ou face time pessoas do mundo inteiro!

Psicoterapeuta, Psicanalista, Palestrante e escritora

Aqui você escontrará vários artigos e entrevistas  concedidos à mídia e a motivação é 

inspirar reflexões em você

A maioria são dicas úteis para a vida cotidiana

Tais como: educação de filhos, relacionamento afetivo, variações de humor, depressão, ansiedade, sentimento de solidão, compulsões, mania de consumo, desenvolvimento pessoal, entre outros

Qualquer Ideia, dúvida, comentário ou sugestão é muito bem vindo

leamichaan1065@gmail.com

Acesso ao blog sobre: Como o cinema pode mudar a sua vida! Cinema e Psicanálise:

  http://cinemapodemudarsuavida.wordpress.com/

         Consultório:(011) 2628 1439     

     

Livro Maly –

Romance envolvente e inspirador – “impossivel parar de ler” – depoimentos dos leitores.

22 de Abril de 2009 Posted by | Sem categoria | 36 comentários